A maior trilha urbana do país, a Transcarioca, atravessa o Rio pelas montanhas

A Trilha Transcarioca cruza o Rio de Janeiro por um percurso de aproximadamente 180 km, saindo da Barra de Guaratiba até o Morro da Urca, aos pés do Pão de Açúcar.

Andar de ônibus é muito bom, mas uma caminhada em uma trilha interresssante pode ser uma experiência saudável para lembrar o resto da vida. Com um percurso maior que qualquer linha urbana cruzar a Trilha Transcarioca toda ou parcialmente é uma jornada que nos coloca em contato com o melhor da natureza da Cidade Maravilhosa.

A Trilha Transcarioca tem hoje mais de 100 km prontos e totalmente sinalizados e percorre-la é gratuito, mas se aconselha a participação de guias ou trilheiros que conheçam o caminho, para maior segurança. Durante o seu trajeto, o visitante tem a oportunidade de apreciar atrativos naturais pouco conhecidos da cidade e descortinar a Cidade Maravilhosa de ângulos inusitados. A trilha pode ser percorrida na sua integralidade ou em seções, de acordo com o interesse, a aptidão e a disponibilidade de tempo de seus usuários.
Hoje, a Trilha Transcarioca interliga nove unidades de conservação de proteção integral no município:

  • Parque Natural Municipal de Grumari
  • Parque Estadual da Pedra Branca
  • Parque Nacional da Tijuca
  • Parque Natural Municipal da Cidade
  • Parque Natural Municipal da Catacumba
  • Parque Natural Municipal Fonte da Saudade
  • Parque Natural Municipal Jose Guilerme Merquior
  • Parque Natural Municipal da Paisagem Carioca
  • Monumento Natural Municipal dos Morros do Pão de Açúcar e da Urca

Permitindo ainda o acesso a áreas protegidas como o Sítio Burle Max, o Parque Estadual da Chacrinha, o Museu do Açude e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Em um segundo momento, a trilha deverá também abranger a Restinga da Marambaia e o Morro Cara de Cão.

Símbolo da união entre as três esferas do poder público, esta iniciativa visa também à integração e o fortalecimento das áreas protegidas cariocas, no contexto da realização dos grandes eventos de abrangência internacional sediados pela cidade. Sua implantação é uma iniciativa do Mosaico Carioca de Áreas Protegidas, criado oficialmente pelo MMA em julho de 2011, e vem sendo intensamente planejada e implementada pelos gestores das unidades de conservação envolvidas, por meio de reuniões, oficinas e ações de manejo.

A Trilha Transcarioca foi inicialmente idealizada por Pedro da Cunha e Menezes, em seu livro Transcarioca: todos os passos de um sonho (2.000), respaldada em diversos exemplos bem sucedidos de trilhas de longo curso, tais como a Appalachian Trail (EUA), Huella Andina (Argentina), Hoerikwaggo Trail (África do Sul) e Te Araroa Trail (Nova Zelândia).

Além da geração de emprego e renda dentro dos princípios norteadores do desenvolvimento sustentável, é propósito do Mosaico Carioca que a Trilha Transcarioca siga o exemplo dessas trilhas, que geraram um incremento na visitação e diversas melhorias na gestão das áreas protegidas que cruzam. Pretende-se que o estabelecimento da Trilha Transcarioca proporcione melhorias ambientais para a cidade, como o tão sonhado corredor florestal entre os maciços da Tijuca e da Pedra Branca e a racionalização das unidades de conservação do Mosaico Carioca.

A Trilha servirá também de modelo de conservação de diversos ecossistemas da Mata Atlântica, servindo como uma ferramenta viva de educação ambiental em áreas de restinga, manguezal, praia, costão rochoso, floresta de baixada e floresta de montanha.

Localização

O percurso total vai do Pão de Açúcar à Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro, unindo áreas remanescentes de Mata Atlântica.

Como chegar

A Trilha Transcarioca atravessa a Cidade do Rio de Janeiro de oeste a leste, conectando no trajeto sete Unidades de Conservação. Há mais de cem pontos de acesso à Trilha Transcarioca. Seu início fica em Barra de Guaratiba. Em seu final, a Trilha Transcarioca pode ser acessada pela Pista Claudio Coutinho, no bairro da Urca. Alguns outros pontos de acesso são a Sede do Parque Natural Municipal de Grumari, a estrada da Grota Funda, a Estrada dos Teixeiras, a Subsede do Parque Estadual da Pedra Branca, na Estrada do Camorim, a sede do Parque Estadual da Pedra Branca na estrada do Pau da Fome, a Estrada Grajaú Jacarepaguá, o Largo do Bom Retiro na Floresta da Tijuca, o Centro de Visitantes da Floresta da Tijuca, o Museu do Açude, o Portão de entrada da Floresta da Tijuca, no Alto da Boa Vista, A rua Amado Nervo no Alto da Boa Vista, a Mesa do Imperador, a Vista Chinesa, o Solar da Imperatriz no Horto, a Cachoeira da Gruta, no Horto, a rua Sarah Villela, o Hotel das Paineiras, o Monumento do Corcovado, o Parque Lage, a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Parque Natural Municipal da Catacumba, a rua Vitória Régia, e a Ladeira do Leme entre outras várias possibilidades.

Objetivos específicos da unidade

O objetivo principal da criação da Trilha Transcarioca é assegurar que os Parques do Rio serão ligados por um corredor ecológico, que facilitará o fluxo genético entre eles e cuja integridade terá um grupo permanente de apoio à sua manutenção — os próprios usuários. O objetivo secundário de constituir uma Trilha Transcarioca, atravessando todo o município do Rio de Janeiro, bem sinalizada e com manutenção frequente, é gerar atividade de recreação, quantificável em valores econômicos e que de vai proporcionar bem estar e melhorias na saúde pública.

Na área entre o Parque Estadual da Pedra Branca e o Parque Nacional da Tijuca, a Trilha Transcarioca serve sobretudo, para estabelecer uma coluna vertebral verde entre os dois parques. Uma cabeça de ponte para a proteção da área que liga essas duas Unidades de Conservação. A partir da demarcação da trilha, podemos sonhar com o manejo efetivo daquela área e com as medidas práticas benéficas que se seguem, como o reflorestamento e a construção de passagens de fauna sobre as estradas Grajaú Jacarepaguá e Grota Funda entre outras.

Planejamento e Implantação

Quando estiver completamente pronta cruzará o Rio de Janeiro por um percurso de aproximadamente 170 km, saindo da Barra de Guaratiba até o Morro da Urca, aos pés do Pão de Açúcar (quando incluir a Restinga de Marambaia,serão 250 km). Durante o seu trajeto, o visitante pode apreciar atrativos naturais pouco conhecidos da cidade e descortinar a Cidade Maravilhosa de ângulos inusitados. A trilha pode ser percorrida na sua integralidade ou em trechos, de acordo com o interesse, a aptidão e a disponibilidade de tempo de seus usuários.

Atrações

A Trilha Transcarioca foi projetada para passar em praticamente todos os principais atrativos ecoturísticos localizados no Município do Rio de Janeiro, entre eles as praias selvagens de Guaratiba, a praia de Grumari, o Sítio Burle Max, a Capela de São Gonçalo do Amarante (século XVII), o Pico da Pedra Branca (ponto culminante da Cidade com 1024 m), o Açude de Camorim, a Pedra do Quilombo, o complexo do Pau da Fome, o Complexo histórico da Colônia Juliano Moreira, o Museu Nise da Silveira, as Cachoeiras da Colônia, o Aqueduto do Lameirão, o Pico do Papagaio (987 m), o Pico da Tijuca (1.021 m), o Pico da Cocanha (982 m), a estrada colonial do Quitite, as grutas da Floresta da Tijuca, a antiga Senzala do Major Archer, as ruínas da Fazenda Humaitá, a Pedra do Conde (821 m), a Capela Mairinque (século XIX), o Museu do Açude, o Alto do Cruzeiro, a Cascatinha Taunay, o Palácio Visconde Itamaraty (século XIX), o Morro do Queimado, a Mesa do Imperador, a Vista Chinesa, o Parque da Cidade, o Palácio do Marquês de São Vicente, o Solar da Imperatriz, o Jardim Botânico, as represas de captação de água do tempo do Império, os dois maiores jequitibás do Rio, as cachoeiras da Gruta e dos Primatas, aestrada colonial do Vale do Rio Cabeça, as Paineiras, o Corcovado, o Parque Lage, a Lagoa Rodrigo de Freitas, as esculturas do Parque da Catacumba, o Mirante do Sacopã, o Morro da Saudade, a antiga fortaleza da Ladeira do Leme, o Morro da Babilônia, a pista Cláudio Coutinho e o Morro da Urca, terminando junto ao Morro Cara de Cão, onde a Cidade do Rio de Janeiro foi fundada em 1565.

Aspectos naturais

A Trilha Transcarioca está inserida em um mosaico de unidades de conservação que contém significativa biodiversidade e espécies que constam da lista brasileira da fauna e flora ameaçadas de extinção. Inclui um importante fragmento de Mata Atlântica coberto por Floresta Ombrófila Densa Secundária em avançado estágio de regeneração. Também passa por praias, áreas reflorestadas, lagos, açudes, manguezais, costões rochosos e floresta de baixada. Quando o trecho da Restinga de Marambaia for incorporado, a Trilha também vai incluir cerca de 50 km de vegetação de restinga.

Relevo e clima

O relevo é predominantemente montanhoso com a presença de escarpas graníticas íngremes, onde se destacam o Pico da Pedra Branca (1024 m) o Pico da Tijuca (1.021 metros), a Serra da Carioca (710 metros) onde se localiza o Corcovado, o Pão de Açúcar (396 m) e a Serra dos Pretos-Forros & Covanca. O clima é influenciado por uma abundante precipitação nos meses de verão, com um período seco no inverno. Locais situados a até 500 metros de altitude, possuem clima de área tropical. Acima dessa altitude, a temperatura é do tipo climático temperado.

Fauna e flora

O ecossistema é composto pela Mata Atlântica montana e sub-montana. A trilha atravessa Unidades de Conservação que são lar para cerca de 1.650 espécies vegetais, das quais 450 em situação de vulnerabilidade ou em perigo de extinção. A flora reúne espécies como murici, ipê-amareio, ipê-tabaco, angicos, caixeta-preta, cambuí, urucurana, jequitibá, araribá, cedro, ingá, açoita-cavalo, pau-pereira, cangerana, canelas, camboatá, palmito, brejaúba, samambaiaçus, quaresmeiras, caetés, pacovas, líquens, musgos, orquídeas e bromélias. Vários trechos atravessados pela Trilha Transcarioca como o Parque Natural Municipal de Grumari, o Parque Nacional da Tijuca, a orla da Lagoa Rodrigo de Freitas, o Parque Natural Municipal da Catacumba, o Parque Natural Municipal Paisagem Carioca e o Monumento Natural Municipal Pão de Açúcar foram objeto de elaborados projetos de reflorestamento. Assim a Trilha Transcarioca atravessa um exemplo VIVO de que é possível recuperar áreas degradadas.

Já as espécies animais são cerca de 350, entre anfíbios, aves e mamíferos, dos quais 16 estão ameaçadas de extinção. Da fauna, existem muitos insetos, aranhas e outros artrópodes; cobras como caninanas, corais, jararaca e jararacuçus; lagartos como calangos, iguanas e teiús; aves como tucanos, saíras, rendeiras, tangarás, arapongas, beija-flores juritis, gaviões, urubus, urus, jacupembas e inhambus-chintã; mamíferos como sagüis, macacos-prego, cachorros-do-mato, quatis, guaxinins, pacas, ouriços-coendu, caxinguelês, tapitis, tatus, tamanduás-mirim e gambás. Várias espécies que podem usar o Corredor Ecológico da Trilha Transcarioca para se movimentar entre diferentes unidades de conservação foram reintroduzidas pelo homem, como são os casos da gibóia, do tucano e da cotia, entre outros.

Vamos usa-la e conserva-la

Por fim, a falta de uma equipe profissional exclusivamente dedicada à administração e manutenção da Trilha Transcarioca é um fator de fraqueza que pode, no médio prazo, inviabilizar sua consolidação como uma das maiores e melhores trilhas de longo curso do mundo.

Fonte: https://trilhatranscarioca.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *