Ouro Preto: para quem busca o legítimo rococó mineiro

Incrustada entre montanhas e vales de Minas Gerais, surge uma pedra preciosa urbana. Daquelas maravilhas que só a união da natureza com as ambições humanas é capaz de criar. Quem gosta de história do Brasil e, de quebra, boas opções de bares, restaurantes, passeios e, claro, da deliciosa cozinha mineira, precisa conhecer Ouro Preto e suas ladeiras e casarios.

A cidade é o endereço certo para quem busca o legítimo rococó mineiro. A cada edificação, a cada ladeira, histórias de tempos passados são descobertas com uma riqueza de detalhes impressionante. Os principais pontos turísticos são as construções históricas, museus e igrejas barrocas, mas não é só, pois tanto a cidade quanto seu entorno são repletos de atrações naturais. Ao percorrer as ruas de paralelepípedo de Ouro Preto, é fácil entender o motivo pelo qual acumula tantos títulos.

Patrimônio Nacional

Foi elevada a Patrimônio Nacional em 1933 e, cinco anos depois, tombada pelo Iphan. Já em 1980 foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade, por conta das diversas obras espalhadas pela cidade, dos escultores Francisco Xavier de Brito, Manuel da Costa Athayde (mestre Athayde), Manuel Francisco Lisboa e, principalmente, seu filho Antonio Francisco Lisboa, mundialmente conhecido como Aleijadinho. Por isso mesmo, há certos pontos marcantes no roteiro, como a Igreja de São Francisco de Assis, considerada por muitos a mais bonita de Ouro Preto e significativo exemplo da arquitetura barroca mineira.

Outras visitas indispensáveis são: a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, onde se encontram sepultados Aleijadinho e seu pai; a Igreja de Nossa Senhora do Pilar; e a mina do mitológico Chico Rei, um monarca africano que se tornou escravo, em Minas, e conseguiu, trabalhando na mineração, comprar sua liberdade e a de seus súditos com o ouro que conquistou. Os museus são outras atrações à parte. O da Inconfidência, do Oratório e o próprio Museu do Aleijadinho são os principais da cidade.

Pedra-sabão

E não pense que verá muito do mesmo estilo rococó, pois os estilos arquitetônicos de Ouro Preto são os mais diversos, assim como os materiais com que foram construídas as edificações. A pedra-sabão é muito presente na cidade e foi usada nos frontões e entradas da maior parte dos templos, assim como nos famosos Profetas do Aleijadinho, na cidade vizinha de Congonhas do Campo. Tanto que há uma feira toda dedicada à pedra, conhecida por ser de fácil entalhe.

O próprio andar pelas ruas e vielas, acompanhando o sobe e desce de suas ladeiras, já é um passeio e uma aula de história. Observar os enormes casarões, muitos deles hoje ocupados pelas famosas repúblicas estudantis, nos remete a histórias da Inconfidência Mineira, liderada por Tiradentes, em 1789, e de grande parte do período colonial brasileiro. Apenas a ida para Ouro Preto pode ser um belo programa, se a opção for seguir pela Estrada Real (ver box) ou por alguma das cidades vizinhas, como Mariana, que se liga ao município por uma linha férrea. O trem que faz o trecho Ouro Preto – Mariana, é uma simpática  Maria Fumaça, que percorre um trajeto de 18 quilômetros de tirar o fôlego dos visitantes. Uma aula de história aliada a belezas naturais.

Vila Rica

Ouro Preto nasceu por volta de 1698, no Arraial do Padre Faria, fundado pelo bandeirante Antônio Dias de Oliveira, pelo Padre João de Faria Fialho e pelo Coronel Tomás Lopes de Camargo e um irmão deste. O pequeno número inicial de famílias passou para perto de 40 mil pessoas, a maior aglomeração de toda a América Latina, em pouco mais de 30 anos, quando a fama do metal dourado se espalhou aos quatro ventos. Não se sabe ao certo quem descobriu a primeira pedrinha de ouro. Contudo, por causa de uma fina camada de óxido de ferro, que torna as pepitas negras, a cidade tem o nome pelo qual hoje a conhecemos.

Mas antes, em 1711, foi denominada Vila Rica, elevada à categoria de vila e tornou-se sede do conselho dos arraiais da região. Após a Independência do Brasil, recebeu o título de Cidade Imperial, em 1823, conferido por D. Pedro I, e passou a ser designada como Imperial Cidade de Ouro Preto. Assim, tornou-se oficialmente capital da então província das Minas Gerais e, mais tarde, do estado, até 1897, quando perdeu o status para o antigo Curral Del’Rey, atual Belo Horizonte.

Destino estudantil

A cidade é famosa também pelo seu burburinho universitário, festivais culturais e festas religiosas, como a procissão da Semana Santa. Seu passado como destino estudantil é antigo. Recebeu a Escola de Farmácia, em 1839, e a Escola de Minas, em 1876. A Inconfidência Mineira, movimento revolucionário que marcou a história do país, teve ali a sua sede. Ouro Preto é um dos municípios brasileiros que mais acumulou fatos históricos relevantes à construção da memória nacional.

Atualmente, 12 distritos compõem o município. A cidade possui a maior queda d’água da região, com 40 metros de altura. Existem três áreas de preservação ao redor de Ouro Preto: o Parque Estadual do Itacolomi, que abriga uma floresta, e o Pico do Itacolomi, de 1.772 metros de altitude (servia de ponto de referência para os bandeirantes e antigos viajantes da Estrada Real que ali passavam, rumo a Ouro Preto, e o chamavam de “Farol dos Bandeirantes”); o Parque Municipal da Cachoeira das Andorinhas, com uma belíssima queda d’água de dez metros; e a Estação Ecológica do Tripuí. Formações rochosas do entorno, como a Pedra do Jacaré, também são passeios que valem a pena conferir.

Parques e reservas

Os parques e reservas abrigam vários animais silvestres, alguns ameaçados de extinção, como o lobo-guará, a onça-parda e o andorinhão-de-coleira. Além de macacos, micos, tatus, pacas, capivaras etc. Levantamentos identificaram mais de 200 espécies de aves, como jacus, seriemas e beija-flores. Há diversos rios que nascem, principalmente, no Parque do Itacolomi, escondidos nas matas, desaguando, na sua maioria, no Rio Gualaxo do Sul, afluente da Bacia do Rio Doce.

Atualmente há um movimento de restauração dos monumentos históricos, na tentativa de manter o título conferido pela Unesco, por meio do projeto Monumenta, que conta com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e apoio da própria Unesco, para recuperação, preservação de edificações e peças do patrimônio, além de procurar garantir condições de sustentabilidade aos mesmos.

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