02/02/2024
O Ministério da Saúde incorporou a vacina contra a dengue e já adquiriu um lote para aplicar na população de regiões endêmicas, em 521 municípios, já a partir de fevereiro. No estado do Rio de Janeiro, 12 cidades receberão o imunizante, todas fazem parte da região de saúde Metropolitana I. São elas: Belford Roxo, Duque de Caxias, Itaguaí, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, São João de Meriti, Seropédica e Queimados.

As regiões de saúde selecionadas atendem a três critérios: possuem pelo menos um município de grande porte, ou seja, mais de 100 mil habitantes, com alta transmissão de dengue registrada em 2023 e 2024, e com maior predominância do sorotipo DENV-2. Com isso, 16 estados e o Distrito Federal têm municípios que preenchem os requisitos para o início da vacinação a partir de 2024.
Serão vacinadas as crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, faixa etária que concentra maior número de hospitalização por dengue – 16,4 mil de janeiro de 2019 a novembro de 2023, depois das pessoas idosas, grupo para o qual a vacina não foi autorizada pela Anvisa. Esse é um recorte que reúne o maior número de regiões de saúde. O esquema vacinal será composto por duas doses, com intervalo de três meses entre elas.
A definição de um público-alvo e regiões prioritárias para a imunização foi necessária em razão da capacidade limitada de fornecimento de doses pelo laboratório fabricante da vacina. A primeira remessa, com cerca de 757 mil doses, chegou ao Brasil no dia 20 de janeiro. O lote faz parte de um total de 1,32 milhão de doses fornecidas pela farmacêutica. Outra remessa, com mais 568 mil doses, está com entrega prevista para fevereiro. Além dessas, o Ministério da Saúde adquiriu o quantitativo total disponível pelo fabricante para 2024: 5,2 milhões de doses. De acordo com a empresa, a previsão é que sejam entregues ao longo do ano, até dezembro. Para 2025, a pasta já contratou 9 milhões de doses.
O Brasil é o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante no sistema público universal. O Ministério da Saúde incorporou a vacina contra a dengue em dezembro de 2023. A inclusão foi analisada de forma célere pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporações de Tecnologias no SUS), que recomendou a incorporação. Todo o processo foi organizado com Conass e Conasems – órgãos representantes das Secretarias de Saúde dos estados e municípios – seguindo as recomendações da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI) e da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Cenário epidemiológico
Com o início do período das chuvas e das altas temperaturas, e diante do alerta emitido pela OMS (Organização Mundial de Saúde) sobre o aumento das arboviroses, em razão das mudanças climáticas ocasionadas pelo El Niño, somadas ao cenário nacional de reaparecimento dos sorotipos DENV-3 e DENV-4, o Ministério da Saúde coordenou uma série de atividades preparatórias para a sazonalidade de 2024.

O Ministério da Saúde reforça que a principal medida de enfrentamento das arboviroses é a eliminação dos criadouros do mosquito. Daí a importância de receber os agentes de saúde, que vão ajudar a encontrar e eliminar possíveis criadouros. São 102.633 Agentes de Combate às Endemias em todo o Brasil, sendo 11.464 para atender os 92 municípios fluminenses.
Fonte: Ministério da Saúde
A Prefeitura do Rio declarou, dia 2 fevereiro, em coletiva de imprensa, que a cidade está vivendo uma epidemia de dengue. Até o momento, o município registrou mais de 10.150 casos da doença, contra cerca de 22.900 ao longo de todo o ano passado. Em uma semana de janeiro, a capital fluminense chegou a ter 3 mil casos de Dengue, enquanto em janeiro do ano passado, o máximo registrado foi de 200 casos. Pela primeira vez na história, três variantes do vírus circulam no Rio: os tipos 1, 2 e 4. A maior quantidade de sorotipos aumenta as chances de infecção.
O calor e as enchentes recentes em alguns pontos da cidade em decorrência das chuvas também influenciam o panorama atual.
Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, é um dos locais mais afetados. O bairro teve um aumento de 2.300% no número de pacientes com a doença atendidos entre 1º e 20 de janeiro, em relação a igual período do ano passado.
Diante do cenário, a prefeitura anunciou 150 pontos de hidratação. 20 leitos vão ser destinados para pacientes no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, na Zona Norte.
O Município anunciou ainda 16 carros fumacê pela cidade, além da criação de um centro de monitoramento. Agentes da Prefeitura também vão entrar compulsoriamente em imóveis e terrenos, podendo multar e fazer a capina e mandar a conta para os proprietários. Segundo a Prefeitura, essa é uma medida de exceção.
Segundo levantamento do Município, a cada três casos de dengue, dois os mosquitos estão na casa do paciente.
A Vigilância Sanitária pede, como medida de segurança, colocar meio copo de cloro e também uma colher de sal, nas segundas e na sextas-feiras, em todos os ralos que tiver em sua casa.

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