05/12/2023
O Centro de Documentação e Memória Eurico Divon Galhardi (CDMEDG) foi inaugurado em 2015, com o intuito de disseminar informação e conhecimento sobre mobilidade urbana e transporte. Nesse centro, está registrada e conservada a história do transporte no Brasil e no Mundo com acervos arquivístico, bibliográfico e museológico. O Centro de Documentação e Memória está instalado na sede da NTU (Edifício CNT SAUS Quadra 1 – Bloco J, s/n – 9º Andar Ala A, Brasília – DF, 70070-944 – Telefone: 61 2103-9293) desde 2015, com exposição aberta ao público mediante agendamento. Além da exposição permanente, o Centro de Documentação conta com salas de pesquisa e a sala interativa David Lopes de Oliveira.
Neste espaço reservado na sede da NTU, em Brasília, a história é contada por meio de réplicas em miniaturas de diversos meios de locomoção existente. A exposição, que faz parte do projeto, compõe automóveis, ônibus, trens, bicicletas, bondes e ônibus de sistemas BRTs. O idealizador deste espaço foi o então presidente do Conselho Diretor da NTU, Eurico Galhardi, falecido em junho deste ano, que relatou que sua coleção completa contava 5.500 anos de história de mobilidade urbana, mas apenas parte dela está exposta nesse museu. O acervo reumido por Galhardi é de mais de cinco mil peças que representam a mobilidade e o transporte, desse total, cerca de mil estão expostas na sede da Associação.
O acervo museológico conta ainda com os primeiros ônibus que rodaram na Alemanha, França, Inglaterra, Espanha, Rússia, Itália, Argentina, Estados Unidos e Brasil. Além disso, possui réplicas em miniatura de carros presidências. Meios de transportes representados nas obras de arte do pintor francês Debret, nos anos de 1800, também foram transformados em peças para o museu.
Como resultado de uma parceria entre a NTU e a Confederação Nacional do Transporte (CNT) o Centro de Documentação e Memória Eurico Divon Galhardi editou um catálogo completo, lançado em 2019, que conta a história do transporte no Brasil e no mundo, dos primórdios aos dias atuais. A publicação reúne imagens de todas as peças em miniatura expostas no Centro de Documentação e Memória Eurico Divon Galhardi (CDMEDG), na sede da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). As fotos foram produzidas pelo renomado fotógrafo Bento Viana.
O catálogo apresenta materiais bibliográficos, museológicos e arquivísticos distribuídos ao longo de 460 páginas. São 555 miniaturas de veículos de todos os tipos, 161 selos, 19 quadros, 21 louças, 44 fichas e 79 vales-transporte. As peças, originárias de diversas partes do mundo, vão desde embarcações e carroças rudimentares que mostram as primeiras utilizações da roda até os mais modernos ônibus existentes no Brasil e em diversos países, e buscam resgatar um pouco da história e importância do transporte para as sociedades de cada período.
Além de reproduzir a trajetória do transporte no Brasil e no mundo até a atualidade, o catálogo do Centro de Documentação também registra o surgimento desse trabalho idealizado pelo presidente do Conselho Diretor da NTU, Eurico Galhardi, apaixonado por miniaturas de transportes desde a juventude. A publicação narra a evolução desse hobby, que resultou em um acervo pessoal com milhares de peças reunidas por várias décadas. A publicação registra também a história dos artistas brasileiros que confeccionaram de forma artesanal as miniaturas de veículos históricos especialmente produzidas para compor o acervo, e que pontuam os momentos mais significativos da evolução da mobilidade.
Este catálogo de 464 páginas pode ser apreciado integralmente no link:
https://memoriadotransporte.org.br/galeria/8566/
A sala interativa “David Lopes de Oliveira” é um espaço moderno que faz parte do Centro de Documentação e Memória. Conta com tecnologia avançada para que os visitantes possam elaborar de forma rápida e simples o planejamento de transporte de qualquer localidade.
Com um software responsável em transmitir para a tela de 100 polegadas as imagens estruturais de uma cidade, é possível desenhar as rotas de transporte com elementos de priorização, definir quais são os principais pontos da cidade que devem ter terminais, estações, garagens, corredores de BRT e faixas e corredores exclusivos.
A “Carrosse à Cinq Sols”, considerada o primeiro ônibus do mundo, foi criada por Blaise Pascal, em 1662. O veículo movido à tração animal operava cinco linhas na França do século XVII. A tarifa cobrada por Pascal era de cinco tostões.
Em 1817, surge no Rio de Janeiro o “Coche do Beija-Mão”, representando o primeiro serviço de transporte coletivo no Brasil. Era uma diligência – Carruagem de grande porte que, sustentada por molas e carregada por tração animal – que servia no transporte de súditos ao Rei D. João VI para que pudessem beijar sua mão em forma de homenagem, por isso foi chamada de “Beija-Mão”.
A exposição retrata ainda que foi em 1911 que a primeira empresa de ônibus movido à gasolina passou a atender o usuário do transporte coletivo no Brasil. A “Empreza Auto-Avenida” começou a operar após três anos do surgimento do primeiro ônibus brasileiro de 1908. Tanto o ônibus como a empresa foram inciativas de Octavio da Rocha Miranda.
O contrato firmado com a prefeitura do Rio de Janeiro estabelecia que o serviço fosse oferecido entre as Avenidas Central até a Praia Vermelha. Ao todo 25 ônibus atendiam os passageiros. Em 1917, a Viação Auto Avenida encerrou suas atividades.
Nesse mesmo ano, iniciaram testes com os ônibus elétricos pela Av. Rio Branco, entre a Praça Mauá e o Palácio do Monroe (antigo Senado), no Rio de Janeiro. Os primeiros ônibus elétricos eram movidos à bateria e construídos nos Estados Unidos. O serviço foi inaugurado em 1918, durando até 1928.
O primeiro veículo de transporte coletivo levou o nome de Omnibus de Baudry. Ele surgiu em Nantes, Paris, em 1826 e se parecia com um coche. O ponto inicial do serviço era em frente a uma chapelaria em que o dono se chamava Omnes. Ele criou o slogan “Omnes Omnibus”, um trocadilho do latim que significa “Tudo para todos”.
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