Desde o final do século passado, temos veículos circulando com amortecedores pressurizados, como o Ford Escort XR3, um dos pioneiros nesta tecnologia em 1984. Atualmente os principais fabricantes nacionais de peças para suspenção têm linhas de amortecedores pressurizados, como:
Para ilustrar de forma bastante simples o funcionamento de um amortecedor, podemos imaginar um amortecedor como uma seringa de injeção contendo óleo. A diferença é que o fluido no amortecedor permanece no interior do recipiente, com o óleo passando de um lado para outro por meio de orifícios no êmbolo. É a velocidade com a qual o líquido passa por esses furos que faz o amortecedor absorver os movimentos da carroceria.
O amortecedor convencional possui um conjunto formado por pistão e válvulas que são fixados a uma haste (tudo isso corresponderia ao êmbolo da seringa). Esta, por sua vez, se move no interior de um tubo (a seringa) que contém um fluido hidráulico, desenvolvido especificamente para esse uso. O movimento constante e rápido gera muito calor e pressão e, assim, o óleo deve resistir a altas temperaturas.
“O amortecedor convencional funciona muito bem, mas em condições mais severas, a velocidade de acionamento do pistão eleva-se tanto que o fluido não consegue acompanhá-lo, o que resulta na formação de bolhas de ar logo abaixo do pistão”, explica Jair Silva, gerente de qualidade e de serviços da Nakata.
Quando isso ocorre, surgem espaços vazios dentro do tubo. O amortecedor pressurizado foi criado para evitar esse efeito, que prejudica a eficiência do componente. Além do fluido, ele conta com nitrogênio pressurizado em seu interior.
“Com um sistema de válvulas de fluxo, é criada uma câmara pressurizada, fazendo com que o óleo seja pressionado para dentro do tubo de pressão com maior velocidade, evitando o surgimento de bolhas de ar, mesmo em condições severas”, afirma Silva. Com isso, o amortecedor trabalha de forma mais eficiente, mantendo o pneu em contato com o piso e garantindo aderência, estabilidade e conforto.
É importante lembrar que o amortecedor convencional segue muito utilizado em veículos comerciais, caminhões e ônibus – assim como em carros mais antigos – e, por isso, ainda são encontrados no mercado de reposição. Já os veículos mais modernos ou projetados para trafegar sobre pisos irregulares com maior frequência (SUVs e picapes, principalmente), saem de fábrica com amortecedores pressurizados.
Também no quesito durabilidade do amortecedor os pressurizados levam vantagem conta com sistema de vedação de alta resistência, impedindo não só a entrada de impurezas, mas vazamentos de óleo ou do gás. No entanto o amortecedor não atua sozinho, faz parte do sistema de suspensão, pois é fundamental avaliar todo o conjunto de componentes, entre eles, coxim, batente, mola helicoidal e bucha de bandeja.
A substituição do amortecedor convencional pelo pressurizado não traz nenhum prejuízo ao veículo, mas é importante verificar se a troca vale a pena. Um carro projetado para utilizar os modelos mais simples nem sempre vai apresentar melhorias significativas se equipado com os pressurizados.
O mais recomendado – como sempre – é seguir as indicações da fabricante do veículo, além de manter a manutenção em ordem.
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