29/11/2022
Mario Jorge da Silva Mattos, 59 anos, 38 deles como rodoviário, atua como psicólogo no Grupo Redentor. Sua história dentro do setor de transporte por ônibus começou em 1984, na extinta CTC (Companhia de Transportes Coletivos do Estado do Rio de Janeiro). “Entrei como vigia; abria e fechava portão de garagem; fiquei um ano nessa posição. Quando o responsável pela segurança se aposentou, fiquei no lugar dele, fazendo a escala do pessoal, por seis meses”, lembra. Após um ano e meio de casa, Mario, já estudante do 8º período de psicologia, na Universidade Gama Filho, começou a estagiar no departamento de Recursos Humanos da empresa. Três meses após se formar e tirar seu registro no CRP, foi promovido ao cargo de psicólogo, tendo chefiado o departamento de RH por nove anos, até a extinção da estatal.
Graças a sua larga experiência de 12 anos na CTC, Mario conseguiu imediatamente uma nova colocação, na antiga empresa Amigos Unidos, onde trabalhou durante oito anos. No Grupo Redentor, atua há 17 anos como psicólogo. Também participou da primeira turma de psicólogos peritos examinadores do Detran-RJ e atuou, durante quatro anos, como psicólogo e sócio, num trabalho paralelo ao exercido nas empresas, em clínica autorizada pelo Detran para os exames clínicos exigidos para emissão e renovação da Carteira Nacional de Habilitação.
Casamento e filho
O psicólogo é casado há 34 anos com a pedagoga Rosinéa Fagundes Pinheiro, que trabalhou durante 17 anos em instituição de ensino, seis no Inca e está há cinco como rodoviária, também no Grupo Redentor, ao lado do marido, como responsável pelo setor de Recursos de Multa, departamento criado para atender às demandas dos motoristas das três empresas do Grupo (Viação Redentor, Transportes Futuro e Transportes Barra).
O casal tem um filho de 20 anos, Mario Henrique, motivo de orgulho para a família. Apaixonado por carnaval, Henrique é ritmista da Portela e integrante da Ala dos Compositores dos Filhos da Águia. Ao ser questionado se ainda nutre algum sonho, Mario Mattos resumiu seu amor pelo filho, que é especial intelectual: “sonho não tenho, não. O que quero é manter a vida e ter saúde para conseguir continuar cumprindo minha missão, que é cuidar do Henrique”.
Herança do pai e do avô

Primeiro móvel construído por Mario, há mais de 30 anos, ainda em uso em sua casa
Aposentado há quatro anos, Mario continua atuando psicólogo e se dedicando ao setor de transporte por ônibus. “Ainda estou com energia para isso e também preciso”, explica. Essa energia é fruto, além do amor à profissão, da relação com a família e de um hobby que nutre há anos: a marcenaria. “Não posso me considerar um marceneiro, quem sou eu para chegar perto do que são esses profissionais, mas dou minhas marteladas”, diz.
Seus mestres foram o pai, Mario Martins, e o avô, Floriano Martins. “Desde criança, ainda com 5, 6 anos de idade, sempre fique muito perto do meu pai, que junto com meu avô e meu tio, considerado também como um pai, sempre mexeram com obra em casa. E eu gostava de estar junto, mexendo nas ferramentas…”, recorda.
Demorou alguns anos para que Mario colocasse em prática as habilidades herdadas da família, para manusear as ferramentas também deixadas como herança pelo pai e o avô. “Eu já estava com cerca de 26 anos, casado, quando resolvi fazer meu primeiro móvel, porque estávamos precisando para nossa casa” (o móvel em questão existe até hoje e está na galeria de fotos abaixo).
Produtos não são para venda
Após desenhar e produzir sua primeira “obra”, Mario não parou mais. Nesses últimos 30 anos, calcula já ter construído cerca de 70 peças e reformado outras tantas. Os produtos, no entanto, não são comercializados, tudo é feito por prazer, explica o psicólogo. “Nunca vendi nada. Não é o meu propósito, não quero. Faço para dar de presente, para uso próprio e até se alguém pedir. Agora mesmo estou fazendo um pé de mesa para uma afilhada. Faço como terapia, me distraio”.
Mario revela que não segue padrões profissionais para elaborar e criar os objetos e que nunca participou de curso ou algo parecido no ramo de carpintaria ou marcenaria. Mas conhece algumas técnicas necessárias ao acabamento das peças, como tinta, verniz, fórmica, revestimento com folha de madeira, pátina. Entre os tipos de madeira, a maciça é sua principal e preferida matéria-prima. Além de comprar esse material, também o recicla a partir de móveis e portas antigos, por exemplo.
O rodoviário, na verdade, é um autodidata nessa área. Ele conta que faz tudo de forma muito simples e quando sobra tempo. “Dia de semana estou trabalhando na empresa, final de semana dedico totalmente à família. Então, é quando tenho um tempinho de sobra mesmo”.
Amor e dedicação à família
Quando o psicólogo fala em dedicação total à família, é porque Rosinéa e Mario Henrique são prioridade em sua vida. Em uma frase apenas é capaz de resumir esse amor: “eu gosto de estar junto com eles”, diz.
Passear na colônia de férias do Sindicato dos Rodoviários, em Miguel Pereira, junto com os amigos do Grupo Redentor, é uma “rotina” dos Mattos. “Estamos sempre lá, é um lugar que frequentamos há muito tempo”. O botafoguense Mario conta também que gosta de assistir e jogar futebol, de pescar e de acompanhar o filho nos ensaios da Portela.
“Aqui me sinto em casa”
Sobre o seu trabalho, Mario faz questão de registrar a importância do Grupo Redentor em sua trajetória. “Não apenas pelo tempo de atuação, mas porque aqui me sinto em casa. Tenho muita liberdade, confiança dos colaboradores e o respeito da diretoria”, revela.
Ao ser desafiado a dar um conselho para quem está ingressando no setor de transportes, como rodoviário, Mario pontua algumas das características que o guiaram em todo seu percurso profissional. “Ser o mais transparente possível e o mais fiel às suas convicções, aos seus princípios, a sua família e ao seu trabalho. Atuar de forma digna e honesta, sempre”. Sobre a categoria rodoviária, ele torce para que sejam resgatados o orgulho e a valorização dos profissionais.
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