01/03/2025

Priscila: “eu vou trabalhar cantando”

Priscila Fernandes Palladino, motorista da Cidade Real

Catadora de lixo, ainda criança, aos 11 anos, Priscila foi também babá, aos 14, copeira e doméstica, até que, em 1995, ingressou na Viação Esperança, de Petrópolis, como cobradora. “Fiquei nove anos lá. Depois, fui costureira e motorista de ambulância na Cruz Vermelha, durante seis anos. Então, abri meu salão de beleza, onde fui manicure, cabeleireira, fazia de tudo”.

A vida de rodoviária começou por acaso, após uma visita à Petro Ita, em companhia de uma amiga. Priscila já tinha carteira E e, naquele dia recebeu do instrutor, que coincidentemente havia sido seu motorista na Viação Esperança, uma proposta para ingressar na empresa. “Fiz uma reunião com minha família e perguntei o que achavam de eu me tornar motorista de ônibus. Meus filhos, meu ex-marido e minha nora, todo mundo me apoiou. Fiquei como cobradora por 10 meses, depois mais 10 na escolinha de formação de motorista e depois mais 10 como motorista júnior, até chegar a profissional”, lembra.

Atualmente, Priscila faz a linha que liga os bairros Mosela e Independência, da Cidade Real, e tem seus passageiros cativos, para os quais dedica o seu melhor, sempre com um sorriso no rosto. Seu dia começa ainda de madrugada, quando embarca no chamado “Corujão”, com destino à garagem para pegar o ônibus e iniciar o expediente. Às 14h30, encerra o serviço e aproveita o dia para resolver os problemas normais da vida adulta. “Depois vou pra casa, faço minha jantinha e do meu filho e no dia seguinte começa tudo novamente”, relata.

Priscila diz que nunca foi seu sonho ser motorista. “Eu queria casar, ter filhos, cuidar da casa e ponto. Na minha juventude, eu tinha medo até de andar em carro de passeio porque eu achava que ia morrer num banco de carona. Aprendi a dirigir com três amigos da Viação Esperança. Depois, fui tirar carteira, trocar a categoria. A verdade é que eu caí nessa profissão porque eu precisava criar meus filhos depois que me separei, porque meu ex-marido bebia muito. Mas, hoje, eu amo dirigir e é uma profissão que me realiza. Eu vou trabalhar cantando”, ressalta. Sua alegria contagia os colegas de trabalho e os passageiros. Ela, inclusive, guarda algumas amizades entre os clientes que transportou ao longo da vida.

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