20/06/2023
Antes de se tornar motorista de ônibus, Alexandre trabalhou como office-boy e ajudante de caminhão. O amor pela direção foi uma herança do seu falecido pai, Adalberto, que era caminhoneiro. “Aprendi a dirigir com ele, no caminhão, na estrada. Eu viajava muito com ele, pelas estradas. Já fomos até Brasília, uma ocasião. Aquilo me despertou e fui pegando gosto pela direção”.
Em 1994, aos 20 anos, Alexandre tirou sua carteira de habilitação e dois anos depois já começou a trabalhar como motorista ônibus. “Minha primeira empresa foi a Alpha; depois fui pra Breda e Pavunense, onde fiquei por quase 15 anos. “Sempre gostei de dirigir. O segredo pra ser um bom motorista é atenção, respeitar as leis de trânsito e saber se colocar no seu lugar, saber o que pode e o que não pode fazer”, diz. E completa: “Tem dias que são muito bons para trabalhar e tem outros que são mais difíceis”.
A primeira bicicleta
Morador de Jardim Paraíso, em Nova Iguaçu, casado há 27 anos com a dona de casa Janete Marques de Oliveira Mattos, pai do Lindomar, de 29 anos, e avô da pequena Lívia, de 5, Alexandre tem uma outra paixão também ligada à direção e ao transporte: a bicicleta. “Por volta dos meus 15, 16 anos, eu tinha uma Caloi 10 e, já naquela época, gostava muito de pedalar. Antigamente, tinha aqueles eventos com carro de som que levava um monte de bicicletas atrás e eu sempre estava junto. Ia para vários lugares pedalando”, lembra.
As responsabilidades da vida adulta, no entanto, o afastaram dos pedais de sua bicicleta por um longo período. “Veio namoro, casamento, filho, trabalho… Aí, eu abri mão do ciclismo. Não tinha tempo para me dedicar”, conta. O destino, porém, acabou encontrando uma forma de novamente colocar o esporte em sua vida. Infelizmente, a volta ao ciclismo se deu por motivo de saúde. Mas, felizmente, Alexandre soube fazer do limão uma saborosa limonada.
Quando a coluna travou
“Há dois anos, eu estava trabalhando e tive uma forte crise de coluna. Estava na linha Bangu x Edson Passos e, quando cheguei ao ponto final, quase não consegui levantar do banco de tanta dor. Como em Edson Passos a UPA é ao lado do ponto, me levaram pra lá e eu passei a noite internado, tomando medicação. O médico me orientou a buscar um ortopedista, que me mandou fazer uma ressonância. Lembro que fiquei 14 dias tomando medicação. Não tinha posição pra deitar, pra ficar em pé, pra dormir…”.
Com a ressonância em mãos, Alexandre voltou ao ortopedista. O diagnóstico: três hérnias de disco e uma degeneração óssea na coluna. “A minha hérnia é lombar, cervical e no meio. Minha coluna é dividida em três partes. Então, segundo o médico, havia sério risco de eu ficar paralítico”, conta. “Foi aí que ele me aconselhou a fazer exercício físico. Como eu sempre gostei de bike e sempre via muita gente pedalando na Rio-Santos, perguntei se poderia voltar a praticar o ciclismo. Ele disse que sim, desde que a bicicleta estivesse de acordo com as minhas necessidades, no tamanho, altura, suspensão…”, explica. E assim se deu o reencontro do Alexandre com o ciclismo. “Fui numa loja, pesquisei tudo e comprei minha nova bicicleta, uma mountain bike, aro 29, tamanho 19. Em agosto completam dois anos que voltei a pedalar”.
“Pedalando para Arejar”
O esporte foi ganhando cada vez mais importância na vida do motorista. Há cerca de um ano, ele se integrou ao grupo Pedalando para Arejar, de Campo Grande (Zona Oeste do Rio), que conta com cerca de 190 ciclistas. “No meu bairro tem várias pessoas que participam do grupo. Nós estamos na rota dele. Todo dia eles pedalam, mas eu só posso na minha folga ou quando sobra algum tempo, porque meu horário muda muito. Quando consigo, pedalo 50 km pela manhã, antes de ir trabalhar”, conta Alexandre.
O amor pelo ciclismo contagiou a família e o motorista conseguiu levar a esposa e a cunhada para praticar o esporte. “Ela (a esposa) gostou tanto que hoje em dia me acompanha sempre. Quando tem um evento grande, a gente sempre vai. O grupo vai para vários lugares, como Barra, Recreio… tem dia que sobe para Paracambi, tem época que vai para o Centro do Rio, Aterro do Flamengo, Leblon, Copacabana… A maioria vai pedalando”, diz. “Também participamos de eventos do chamado cicloturismo, que reúne vários grupos, de vários lugares do Rio de Janeiro, para passear e conhecer pontos turísticos. Nesses casos, levamos a bicicleta no carro porque tem que chegar muito cedo”, afirma.
Meio de transporte
Além de praticar o ciclismo com o grupo Pedalando para Arejar ou sozinho, quando consegue tempo, Alexandre também usa a bicicleta como meio de transporte. “Geralmente, vamos pra casa da minha mãe, em Jacarepaguá, eu e minha esposa, pedalando. Pra casa do meu filho, na Pavuna, é a mesma coisa. Embora eu tenha um carro, dificilmente uso. Tento fazer tudo de bicicleta”, revela.
E a coluna, afinal, como ficou após o início da prática do ciclismo? “Consegui fortalecer a musculatura em torno da coluna. E com isso a dor praticamente sumiu. Às vezes dá uma leve dormência, mas nada parecido com o que eu sentia antes, quando cheguei até a usar colete”, comemora.
Com essa experiência, Alexandre se tornou uma espécie de consultor na empresa, quando o assunto é ciclismo e bicicletas. E não perde uma oportunidade de indicar essa prática esportiva para os colegas motoristas. Já conseguiu levar três deles para o esporte – Roberto, da linha 704 (Lagoinha x Campo Grande); Antônio Odilon, da 548 (Nilópolis x Campo Grande); e Aluísio, da 705 (Bangu x Edson Passos), a quem ajudou, inclusive, a comprar uma bike apropriada. “Sempre digo que tem que praticar atividade esportiva. Faz bem para a mente e principalmente para o corpo, desestressa. E, no caso do ciclismo, uma das grandes vantagens é que você conhece lugares que somente a bike pode te levar”.
Os animais de rua
Família, trabalho e bicicleta. Algo mais? Sim. Alexandre tem uma outra grande paixão: os animais, especialmente aqueles de rua, que precisam de cuidados e amor. “Meu sonho é ter um capital para poder cuidar dos animais de rua, ajudar alguma instituição dedicada a essa causa. Tem anos que já faço isso da maneira que posso. Cheguei a ter 18 cachorros que resgatei das ruas. Alguns foram para adoção, outros ficaram comigo”, conta. Alexandre procura sempre ter consigo alguma ração para alimentar os bichos que encontra por onde passa. Também costuma comprar curativos, pomadas e outros tipos de medicação para tratar os ferimentos desses animais desprotegidos. “Ontem mesmo (dia 13 de junho), minha esposa viu uma cachorrinha muito machucada embaixo da barriga. Fui logo na loja, comprei a medicação, pomada cicatrizante, e cuidei dela. Atualmente, temos sete cachorros”, conta.
O ciclista, “consultor de bikes”, amante dos animais, incentivador esportivo dos colegas, marido e parceiro da Janete (e vice-versa), pai do Lindomar e avô da Lívia tem um recado especial para quem está começando na profissão de motorista de ônibus: “se quer chegar longe, primeiramente tem que gostar. E tem que ter respeito e se dar o respeito, além de muito cuidado para exercer esse trabalho. Porque a gente trabalha no trânsito e o trânsito muda a cada segundo, igual a tela de uma TV. Do nada, alguma coisa pode acontecer. Dirigir com cuidado, atenção, respeito e educação no trânsito é tudo”.
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Jocilene, instrutor da viação ponte coberta,sou um admirador , desse cara, chamado Alexandre, tudo que foi falado por ele é verdade, gosto deste cara, parabéns meu amigo, que Deus ilumine sua caminhada.
Obrigado meu amigo pelo carinho