29/07/2024

Motorista que foi da panificação para o transporte por ônibus

Leandro Carneiro de Sousa, 27 anos, motorista da Braso Lisboa há dois anos, na linha 209 (Caju – Candelária), teve sua primeira experiência como condutor de coletivo há apenas três anos. Porém, desde menino nutria o sonho de se tornar motorista. “Eu sempre gostei do volante.  Quando era criança, toda vez que pegava um ônibus, via o motorista e ficava olhando e achava muito maneiro. E falava: eu quero me tornar motorista. Aí fui em busca”, conta.

O sonho de menino se realizou. Mas antes foi preciso, literalmente, garantir o pão de cada dia. É que durante anos Leandro trabalhou numa padaria, em Santíssimo, bairro onde nasceu e vive até hoje. “Meu primeiro emprego foi como auxiliar de padeiro; fiquei dois anos como auxiliar até que me profissionalizei (é formado em Confeitaria pelo Sesc Senac) e assumi o cargo de padeiro. Fiquei seis anos nessa padaria aqui perto da minha casa”, revela.

Habilitado com a carteira D

A mudança profissional aconteceu no embalo do seu sonho. Apesar de gostar da profissão de padeiro, Leandro sentia que faltava alguma coisa. Ele lembrava da época em que embarcava nos ônibus e admirava o trabalho dos motoristas, afirmando que um dia também seria um profissional do volante. “Correu atrás” e conseguiu. “Fui tirando as carteiras de habilitação até chegar na D, quando eu tinha 24 anos. Fiz curso de transporte de passageiro e mais alguns outros e consegui meu primeiro emprego como motorista”, lembra.

O rodoviário sai de casa diariamente ainda de madrugada para pegar o ônibus na garagem da Braso Lisboa, às 5h20, em direção ao ponto do Caju, para a primeira viagem do dia. “Eu moro um pouquinho longe da empresa e levo na faixa de 1h a 1h20 de condução para ir. A volta é um pouco pior por causa do trânsito”, diz. Leandro faz quatro viagens entre o bairro do Caju e o Centro. “A primeira e a segunda viagens são sempre os mesmos passageiros todo dia. A gente já sabe o ponto em que cada um vai descer, onde tem passageiro para embarcar. Tem uns que trazem café da manhã, uma fruta. É muito legal. Faço bastante amizade”, conta.

Chegada da primeira filha

Casado há apenas três meses, com a auxiliar de administração Ariane, que trabalha na área de construção civil, em Santa Cruz, o motorista está se preparando para mais uma importante mudança em sua vida: a chegada da primeira filha, Larissa, que deve nascer entre 15 e 25 de dezembro. O plano de Leandro para o futuro, além de “tirar a carteira de pai”, é subir mais um degrau na profissão e trabalhar em ônibus rodoviário, fazendo viagens interestaduais. “É o que eu pretendo, se Papai do Céu abençoar, viajar de um estado para outro… Eu só saio do ramo rodoviário se for para montar meu próprio negócio, uma padaria”.

Com a paternidade batendo à porta, Leandro, juntamente com a esposa, também tem pensado em mudar para Sete Lagoas (MG), para fugir da violência do Rio de Janeiro. “O Rio está muito difícil, cada dia pior”, diz. A cidade escolhida é onde vivem tios e primos. “Minha família toda é mineira. Meus pais vieram pro Rio muito jovens. Inclusive eles são primos, as mães deles são irmãs”, conta.

Enquanto vai delineando o futuro com a família, o motorista tem uma certeza para o final de 2025, no aniversário de um ano da Larissa: é ele quem ficará no comando da cozinha. “Faço bolo, pizza, salgado, doce, tudo de confeitaria”, afirma. E completa: “só saí desse ramo de padaria porque a vontade de dirigir falou mais alto”.

Nota da redação: Leandro foi o sorteado na promoção Dia do Rodoviário do Portal do Rodoviário, ganhando um celular Samsung Galaxy.

Uma resposta para “Motorista que foi da panificação para o transporte por ônibus”

  1. Waldecy de Souza Castro disse:

    Pow legal foto dele no começo fui eu registrei fiquei muito feliz por isso ele bem me falou.
    Fiquei muito feliz por ele.
    Bela história dele
    👏👏👏👏

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