18/08/2023

De jovem aprendiz a assistente de Departamento Pessoal e árbitro de futebol

Gerson Lucas, 28 anos, assistente de Departamento Pessoal da Viação Petro Ita, de Petrópolis (RJ), iniciou sua trajetória como rodoviário há cerca de 10 anos, quando estava concluindo o Ensino Médio. Tudo começou com o programa Jovem Aprendiz. “Eu estava desempregado e meu pai já trabalhava aqui na empresa e trouxe meu currículo. Fiz o programa pelo Sest Senat de Três Rios com estágio na empresa como monitor de vídeo”, afirma.

A jornada, de estudo e trabalho, durou um ano e meio. “O Sest Senat de Três Rios tinha uma equipe que vinha dar aula aqui na cidade. Um dia era a aula teórica e no outro o estágio na Petro Ita. Aí, uns 15 dias depois que terminou o programa, eu fui contratado para a mesma função que eu já fazia – auxiliar de monitoramento de vídeo. De dentro da empresa, ficava olhando as câmeras dos ônibus para ver se tinha alguma irregularidade”, conta.

O rodoviário atuou nessa função durante seis anos, entre 2015 e 2021. Depois, foi designado para trabalhar no arquivo, separando e organizando documentos. Em outubro do ano passado, Gerson foi promovido a assistente de DP. “Eu faço contrato, ficha de funcionário, essas coisas”, conta. Ele lembra que o pai também cresceu profissionalmente na organização. “Ele entrou aqui como faxineiro, dois anos antes de mim, em 2012, e hoje é manobreiro. Mas, já trabalhou em outras empresas de ônibus como cobrador. Quando eu era pequeno, ele já era cobrador”, lembra.

Curso de arbitragem

Essa não foi a única vez em que a figura do pai foi determinante para sua caminhada. “Quando eu era mais novo, eu achei um diploma do meu pai de um curso de arbitragem. Aquilo despertou meu interesse e resolvi fazer o curso também. Mas, eu não tinha idade pra fazer ainda”. Aos 22 anos, já cursando a faculdade de Educação Física, na qual se formou, Gerson teve a oportunidade de fazer o sonhado curso, pela Federação de Futebol de Salão do Estado do Rio de Janeiro, e não desperdiçou. Em dois meses, se tornou juiz nessa modalidade. Em seguida, pela Liga Petropolitana de Desportos, se habilitou também para o futebol de campo. Ou seja, ele pode atuar como árbitro de futebol de salão, a nível estadual, e de futebol de campo, a nível municipal, em Petrópolis.

Diferente do pai, que nunca exerceu a arbitragem, o auxiliar de DP fez dela um trabalho e ao mesmo tempo um hobby, do qual não abre mão. As oportunidades o levaram para o futebol de salão, onde a demanda por árbitros é grande. Ele quase não tem descanso. Praticamente todo final de semana, é convocado para trabalhar em alguma partida.  “Quando a gente sai do curso já está apto a trabalhar nos jogos pela Federação, que faz as escalas de acordo com a nossa disponibilidade”. Gerson atua como anotador, o juiz de súmula, nas categorias de base. É ele quem registra todas as informações referentes à disputa.

Primeiro jogo e primeira final

Seu primeiro jogo como árbitro foi entre os times Serrano e São Gonçalo, em Petrópolis. A partir dali não parou mais. “Eu acho que já foram mais de trezentos jogos… É que são três partidas por rodada e em várias categorias – sub 9, sub 11, sub 13 (de atletas com menos de 9, menos de 13 e menos de 15 anos). E dependendo do final de semana, dá para participar de uns seis jogos. Tem jogo todo sábado e domingo e mais de um por dia”, explica. Realmente, Gerson não para. Até porque, em Petrópolis, são apenas cerca de oito árbitro formados pela Federação Estadual, mas ele é o único habilitado para partidas nacionais de futebol de salão, por ser integrante da Confederação Brasileira. Inclusive já até atuou numa final, ano passado, na categoria adulto do campeonato estadual, em partida disputada entre Magé e Vasco.

Segundo o árbitro, esse é aquele tipo de trabalho do qual é preciso gostar muito. Primeiro porque consome quase todos os finais de semana e segundo por conta dos xingamentos aos quais um juiz de futebol está sujeito. “Minha mãe sofre um bocadinho”, brinca. Ele revela que, apesar de a maioria dos jogos contar com pais, mães, parentes e amigos na torcida, pelo fato de os jogadores serem crianças, sempre tem um ou outro mais estressado. “Tem que manter o autocontrole, a cabeça tranquila e relevar”, diz.

Educação em quadra e um sonho

O lado positivo de trabalhar com atletas infantis, de acordo com Gerson, é que essa relação passa também pela educação. “Como juiz, a gente tem que aplicar regras e tem que ensinar também. Por exemplo, aplicar um cartão em um sub 9 é diferente do que aplicar em um sub 15. É preciso explicar que ele recebeu o cartão porque cometeu uma falta e é preciso saber como falar com a criança”, diz.

Gerson gosta de lidar com documentos e papeis, tanto na empresa, como assistente de DP, quanto nas quadras, como árbitro de súmula. “Quando fiz a súmula nas primeiras vezes em que trabalhei na quadra, alguma coisa despertou em mim. Eu vi logo que era a minha área, me senti à vontade fazendo aquilo. Eu gosto muito desse trabalho administrativo. Não sei explicar, mas me sinto realizado nessas funções”. Mesmo realizado, há sempre novos sonhos. Gerson nutre um grande sonho: participar de campeonatos nacionais e, um dia, chegar a uma competição de nível mundial. “Seria bacana, né?”, diz.

 

Uma resposta para “De jovem aprendiz a assistente de Departamento Pessoal e árbitro de futebol”

  1. Nubia Yorio disse:

    Um trajetória incrível, dentro e fora da empresa. Sucesso sempre pra Você!

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