20/08/2025

Rio Innovation Week: gerente de Planejamento e Controle da Semove fala sobre transporte e poluição

Em 2024, os cidadãos fluminenses que optaram pelo transporte público por ônibus em vez do individual (carro, moto, aplicativo) contribuíram para evitar a emissão de 8,7 bilhões de quilos de gás carbônico (CO²). Esse número foi apresentado pelo gerente de Planejamento e Controle da Semove, o engenheiro Guilherme Wilson, durante sua palestra sobre “Transporte e poluição: como as suas escolhas impactam no clima e na sua cidade”, na conferência global de tecnologia e inovação: Rio Innovation Week 2025 (RIW), realizada dia 15 de agosto, no Píer Mauá. O dado é atualizado a cada segundo no site da Semove (www.semove.org.br), através do carbonômetro, ferramenta automatizada que contabiliza CO² não emitido pelo usuário de ônibus ao utilizar o transporte público em vez do transporte individual.

Wilson iniciou sua apresentação mostrando números de pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), constatando a queda da utilização do ônibus e o aumento do uso dos automóveis, motos e de serviços por aplicativos, entre 2017 e 2024, além de dados do Anuário NTU 2023-2024, que também destaca a perda de 44,1% dos passageiros do transporte por ônibus no Brasil, na última década. Ele ressaltou ainda que, os números do carbonômetro são baseados em estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o qual mostra que o transporte individual emite oito vezes mais gás carbônico do que o coletivo e que um ônibus poderia substituir 70 automóveis com um passageiro, evitando emissões e diminuindo congestionamentos.

O potencial do Brasil para a produção de diesel verde, biogás e hidrogênio verde foi outro aspecto destacado na palestra de Wilson. Ele defendeu que quando se fala na diminuição da utilização de combustível fóssil, como o diesel, o ônibus elétrico tem seu espaço dentro do setor de transporte coletivo, mas não deveria ser considerado como principal solução, tendo em vista o alto custo, a necessidade de infraestrutura adequada, a autonomia e o peso das baterias, entre outros fatores. O gerente também falou sobre o compromisso inicial assumido pelo País no Acordo de Paris: redução de 37% das emissões de carbono até o final deste ano e de 43% até 2030.

Agenda da Semove

Sobre a agenda da Semove para contribuir com a diminuição da emissão dos poluentes globais, Wilson destacou o inventário de emissões de CO2 das frotas de ônibus do estado do Rio, realizado desde 2014. Segundo o engenheiro, nos últimos 10 anos o setor reduziu em 52% as emissões, superando a meta inicial do Acordo de Paris.

O gerente informou também que a participação do transporte por ônibus urbano no consumo de óleo diesel no Brasil e consequentemente nas emissões é a menor entre os setores da economia. No comparativo com o transporte rodoviário, tendo como base o consumo total de diesel no Brasil (58,41 bilhões de litros/ano), o transporte urbano por ônibus é responsável por apenas 4% (2,7 bilhões de litros). Com relação às emissões de gases de efeito estufa, os ônibus urbanos respondem por somente 0,15% do total do País.

As tendências tecnológicas para o ônibus no Brasil foram mais um tema que ganhou espaço na palestra de Guilherme Wilson. Segundo o engenheiro, a cada 10 anos surge uma nova onda: nos anos 1990 foi o gás natural, na década de 2000 o biodiesel, nos anos 2010 vieram os veículos híbridos, e atualmente o foco é nos elétricos. “É como se trocássemos de roupa de 10 em 10 anos no transporte público coletivo por ônibus no País”, disse. E questionou: “qual será a moda na próxima década?”.

Sobre a RIW

O Rio Innovation Week teve como tema central foi “Um olhar através da ética”. O evento aconteceu entre os dias 12 e 15 de agosto e reuniu cerca de 180 mil participantes, mais de 3 mil palestrantes, 2 mil startups e 400 expositores, que ocuparam uma área de 90 mil metros quadrados, com 40 palcos simultâneos.

A Semove participou do Fórum de Mobilidade 5.0, dia 15 de agosto. Além de Guilherme Wilson, a diretora de Mobilidade Urbanada Semove, Richele Cabral, foi a moderadora do painel “Mobilidade conectada: o papel da tecnologia nos deslocamentos urbanos”. Já a gerente de Mobilidade Urbana, Eunice Horácio, moderou a palestra “Transporte Público como solução inteligente: qualificação, tecnologia, e cidades mais humanas”, que teve como palestrante o especialista em Produtos Digitais da Semove, Guilherme Tavares. E, no dia 12, Eunice Horácio ministrou palestra sobre o tema “O futuro do transporte público por ônibus na Região Metropolitana do Rio de Janeiro”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidas