21/08/2025

Rio Innovation Week: gerente de Mobilidade Urbana da Semove aponta 10 ações para melhorar o transporte por ônibus

Um retrato do transporte público por ônibus na Região Metropolitana do Rio de Janeiro nos últimos 10 anos, mostrando como a pandemia da Covid-19 acelerou um cenário de declínio, com queda de mais de 50% na demanda de passageiros, na quantidade de viagens, na frota e no número de empresas e empregos e as 10 ações que podem ajudar a revertê-lo. Esse foi o foco da palestra “O futuro do transporte público por ônibus na Região Metropolitana do Rio de Janeiro”, ministrada pela gerente de Mobilidade Urbana da Semove, Eunice Horácio, com a participação como debatedoras das professoras Marina Leite, da Coppe/UFRJ e Cintia Machado, do Cefet-RJ. O painel aconteceu dia 12 de agosto, no Fórum de Mobilidade 5.0, realizado durante a Rio Innovation Week, conferência global de tecnologia e inovação que aconteceu entre os dias 12 e 15 de agosto, no Píer Mauá.

Segundo a gerente, entre 2014 e 2024, o número de passageiros de ônibus caiu de 160 milhões para 86 milhões, com pico decrescente em 2020, no auge da pandemia. A frota média mensal das empresas passou de 19.574 para 10.378 veículos, uma queda de 53%, com aumento do envelhecimento da idade média de 5 para 9 anos. A média mensal de viagens percorridas diminuiu de 4,3 milhões para apenas 2 milhões. Já o número de empresas por ano, antes 122, fechou 2024 com 93, e o de colaboradores passou de 97.257 para 45.019, representando 46,3% menos empregos. Os dados apontam perdas significativas para o setor de transporte público urbano por ônibus nesse período.

Padrão de deslocamento

Eunice ressaltou que houve uma mudança no padrão de deslocamento na Região Metropolitana do Rio que se acentuou após a pandemia. A afirmação tem como base uma pesquisa realizada entre agosto e outubro de 2023 pela Coppe/UFRJ, cujos dados foram apresentados durante a palestra.

O desemprego é a maior causa (23,61%), seguido pela mudança do local de destino (19,61%) e pela adoção do regime de trabalho híbrido ou remoto (19,35%). O levantamento mostra ainda que as principais razões para o uso do ônibus como meio de transporte são o menor custo (55,83%) e não contar com outra forma viável de deslocamento (29,86%). Já os quatro principais motivos para não utilizar o ônibus são: tempo de viagem, falta de conforto, falta de segurança pública e tempo de espera no ponto.

Dez ações necessárias

“Estamos em transição. Há um mundo que está terminando e outro que está começando”, afirmou Eunice, ao falar sobre as transformações pelas quais o mundo vem passando e o surgimento de uma nova mobilidade urbana, que inclui: serviços compartilhados, tecnologia veicular, inovação, micromobilidade, adicionada de fatores que afetam o sistema, como segurança pública e viária, fidelização dos clientes, Big Data e prioridade para o transporte público.

A palestrante pontuou 10 ações necessárias que podem melhorar a mobilidade urbana: restaurar a confiança dos usuários e aumentar a participação do transporte público e, para isso, oferecer tempos de viagem reduzidos, maior frequência, menor custo, conforto e segurança pública; reduzir o valor da tarifa por meio de subsídios; investir em infraestrutura no primeiro e último trecho da viagem e na qualificação dos pontos de ônibus; utilizar medidas de gerenciamento de demanda, como pedágio urbano e restrição de estacionamento; construir infraestrutura dedicada ao transporte público, como faixas exclusivas, preferenciais e/ou seletivas; utilizar a tecnologia para melhorar a comunicação com o usuário antes e durante a viagem; promover o uso de veículos não poluentes, para garantir um transporte mais sustentável; planejar linhas de integração física e tarifária, mas evitando a sobreposição dos sistemas de transporte; e contar com uma autoridade metropolitana que coordene as ações municipais em benefício da Região Metropolitana.

Sobre a RIW

O Rio Innovation Week teve como tema central foi “Um olhar através da ética”. O evento aconteceu entre os dias 12 e 15 de agosto e reuniu cerca de 180 mil participantes, mais de 3 mil palestrantes, 2 mil startups e 400 expositores, que ocuparam uma área de 90 mil metros quadrados, com 40 palcos simultâneos.

A Semove participou do Fórum de Mobilidade 5.0. O gerente de Planejamento e Controle, Guilherme Wilson ministrou a palestra “Transporte e poluição: como as suas escolhas impactam no clima e na sua cidade”, a diretora de Mobilidade Urbana, Richele Cabral, foi a moderadora do painel “Mobilidade conectada: o papel da tecnologia nos deslocamentos urbanos” e o especialista em Produtos Digitais da Semove, Guilherme Tavares, foi palestrante do painel “Transporte Público como solução inteligente: qualificação, tecnologia, e cidades mais humanas”, moderado por Eunice Horácio.

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