20/08/2025
“Mobilidade conectada: o papel da tecnologia nos deslocamentos urbanos” foi tema de painel do Fórum de Mobilidade 5.0, dia 15 de agosto, realizado durante a Rio Innovation Week, no Píer Mauá. Participaram da mesa, como palestrantes, o professor titular do Programa de Engenharia de Transportes (PET), da Coppe/UFRG, Glaydston Ribeiro, e a psicóloga especialista em estresse e burnout, Gabriela Barbosa. A mediação foi conduzida pela diretora de Mobilidade Urbana da Semove, Richele Cabral.
Ribeiro falou sobre a transformação em curso no cenário da mobilidade urbana, impulsionada pelas mudanças trazidas: pela pandemia, pela entrada de novos atores no ecossistema, como startups, big techs e parcerias público-privadas; pelo avanço de plataformas que conectam oferta e demanda, integradas a pagamentos digitais e carteiras eletrônicas; pelo comportamento do usuário, a partir da redução da posse de veículos, dando preferência ao compartilhamento e a soluções personalizadas e rápidas; e pela diversificação dos modos de transporte, com as opções de aplicativos de bicicletas, patinetes, motocicletas e carros.
Motocicletas e tecnologia
O professor criticou o uso de motos como modo de transporte público e apresentou os números preliminares de um estudo sobre motivações e racionalidades na escolha pela motocicleta como meio de transporte individual na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que será apresentado na totalidade no 22º Congresso Rio de Transportes. “Ela é, ao mesmo tempo, solução individual e sintoma de um sistema que falha coletivamente”, afirmou. Ribeiro apresentou dados do IPEA, de 2023, que revelam que 38,6% dos acidentes fatais de trânsito envolveram motocicletas e que o SUS gastou R$ 233,3 milhões só com internações ligadas a acidentes com motos em 2024.
Para Ribeiro, a tecnologia é uma aliada poderosa da mobilidade, mas sem regulação e cuidado, pode se tornar uma ameaça ao transporte seguro e sustentável. Ele defendeu a integração física e tarifária, redes conectadas para reduzir tempos e custos, segurança viária, e integração do planejamento urbano e de transporte para o fortalecimento da mobilidade sustentável. “Com uma visão global e o pensamento sistêmico, poderemos construir cidades conectadas, seguras e sustentáveis, capazes de atender às demandas do futuro urbano”, afirmou.
Saúde e transporte público
Gabriela Barbosa falou sobre o impacto do tempo de deslocamento no transporte sobre a saúde ocupacional da população economicamente ativa na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo a psicóloga, cresceu o número de afastamentos do trabalho por transtornos mentais no Brasil, nos últimos 10 anos. Somente entre 2023 e 2024, o aumento foi de 68% e, em 2024, o País registrou 470 mil afastamentos.
Gabriela apresentou os dados do “Estudo de Impacto do Tempo de Deslocamento no Transporte sobre a Saúde Ocupacional da População Economicamente Ativa na Região Metropolitana do Rio de Janeiro”, conduzido pelo Laboratório de Otimização e Sistemas de Informações Geográficas (OPTGIS), da Coppe/UFRJ, e divulgado durante o 21° Congresso Rio de Transportes, no ano passado. De acordo com o estudo, as cinco principais queixas de saúde relatadas pelos usuários do transporte público por ônibus são: dor de cabeça, dores no corpo, ansiedade, irritabilidade/estresse e depressão. Todos os sintomas estão relacionados ao tempo perdido no congestionamento e afetam todas as pessoas, independente do modo de transporte.
Sobre a RIW
A Rio Innovation Week teve como tema central “Um olhar através da ética”. O evento aconteceu entre os dias 12 e 15 de agosto e reuniu cerca de 180 mil participantes, mais de 3 mil palestrantes, 2 mil startups e 400 expositores, que ocuparam uma área de 90 mil metros quadrados, com 40 palcos simultâneos.
A Semove esteve presente no Fórum de Mobilidade 5.0, dia 15 de agosto. Além da diretora de Mobilidade Urbana, Richele Cabral, o evento contou com a participação de outros representantes da Federação: a gerente de Mobilidade Urbana, Eunice Horácio, moderou o painel “Transporte Público como solução inteligente: qualificação, tecnologia, e cidades mais humanas”; no mesmo painel, o especialista em Produtos Digitais da Semove, Guilherme Tavares, falou sobre o Vá de Ônibus; e o gerente de Planejamento e Controle, Guilherme Wilson, ministrou palestra no painel Transporte e poluição: como as suas escolhas impactam no clima e na sua cidade”. Eunice Horácio ainda apresentou a palestra sobre “O Futuro do Transporte Público por Ônibus na Região Metropolitana do Rio de Janeiro”, no dia 12.
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