16/07/2025
A cidade do Rio de Janeiro começou a operar nesta quarta-feira (16) com 20% menos viagens de ônibus em dias úteis, de acordo com um novo plano operacional elaborado pela Secretaria Municipal de Transportes (SMTR). A redução, segundo a prefeitura, atinge prioritariamente horários de menor movimento — chamados de entrepicos — e linhas onde foi constatado excesso de oferta, para ajustar custos e melhorar a eficiência do sistema.

Foto: Reprodução/TV Globo
Entre as linhas mais impactadas está a 100 (General Osório x Central), antiga Troncal 1, que terá cerca de 53 viagens a menos por dia. Essa linha é considerada estratégica por ligar regiões importantes do Centro ao metrô em Ipanema, facilitando a integração diária de milhares de passageiros que dependem dos dois modais. Segundo o coordenador do Fórum da Mobilidade Urbana, Licinio Rogério, o corte deve aumentar o tempo de espera nos pontos e prejudicar justamente essa integração com o metrô, além de comprometer conexões com outros meios de transporte.
Além dela, outras linhas sofrerão redução expressiva: 315, 629, 774, 712 e 862 perderão entre 50 e 70 viagens diárias, o que representa uma redução percentual que varia de 26% a 51%. Os horários mais atingidos são, em geral, das 9h às 15h e, à noite, a partir das 21h, impactando especialmente passageiros que moram em bairros mais distantes e precisam chegar ao Centro. Durante a madrugada (meia-noite às 5h), segundo a SMTR, não haverá mudanças: permanece a frota mínima de um ônibus por hora e por sentido em 65 linhas.
Dados do Fórum apontam que o total de viagens diárias caiu de aproximadamente 26 mil em junho para pouco mais de 20 mil em julho. Já a quilometragem mensal percorrida pelos ônibus deve encolher cerca de 18,5%, passando de 1,1 milhão para cerca de 900 mil quilômetros.
Apesar de a maioria das linhas ter sofrido cortes, algumas tiveram aumento no número de viagens diárias — em menor quantidade absoluta, mas com impacto percentual significativo. Por exemplo, no caso das linhas 833, 848, SN388 e SV391, Esses reforços variam de 6 a 15 viagens extras por dia, o que representa aumentos de 14% a mais de 200%, mostrando que houve ajustes pontuais para atender demandas específicas identificadas pelo monitoramento
Especialistas e representantes de trabalhadores demonstraram preocupação com a dimensão do corte. “Mudar um sistema 20% é uma pancada muito grande. Eles dizem que tem muita linha ‘batendo lata’, mas no caso da linha 100, por exemplo, ela tem um ônibus atrás do outro e faz integração direta com o metrô. É meio absurdo”, criticou Licinio Rogério.
📊 Veja linha por linha: o site O Globo publicou uma tabela mostrando como ficou o número de viagens diárias antes e depois dos cortes.
Confira a tabela completa aqui
“A Secretaria Municipal de Transportes aprimorou sua capacidade de monitoramento da operação dos ônibus municipais. Com base em dados de GPS e nos registros de embarque de passageiros, a SMTR passou a acompanhar com maior detalhamento a oferta e a demanda de cada linha, por horário e sentido.
Com essas informações, a Prefeitura do Rio passou a identificar, com precisão, situações de desequilíbrio entre a quantidade de ônibus ofertada e a demanda real de passageiros. A partir disso, ajustes no plano operacional vêm sendo realizados com o objetivo de aumentar a eficiência do sistema e reduzir os custos com a operação ociosa. As alterações ocorrem, prioritariamente, nos horários de entrepico e em linhas onde foi constatado excesso de oferta. Ressalta-se que, desde junho de 2022, a Prefeitura passou a custear, com recursos públicos, subsídios aos consórcios operadores do sistema — e a boa gestão desses recursos é fundamental para viabilizar investimentos em outras áreas prioritárias da cidade. Cabe esclarecer ainda que o plano operacional do serviço de ônibus é atualizado quinzenalmente. A SMTR seguirá monitorando a demanda de passageiros para realizar os ajustes no plano em caso de necessidade.”
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