10/08/2022
Em entrevista coletiva, realizada na manhã do dia 9 de agosto, antes da abertura do Seminário Nacional NTU, em São Paulo, a entidade lançou o Anuário NTU 2021/2022. Participaram do evento o presidente da NTU, Francisco Christovam; o vice-presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Gustavo Bonini; o presidente da Fabus (Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus), Ruben Antonio Bisi, e o diretor da OTM Editora, Marcelo Fontana.
O Anuário mostra o desempenho operacional do transporte público por ônibus no Brasil entre 1994 e 2021 e traz a comparação do número de passageiros transportados em 2019, antes da pandemia da Covid-19, e hoje. De acordo com os dados, as empresas de ônibus no Brasil deixaram de transportar 10,8 milhões de passageiros nesse período, representando uma perda de R$ 27,8 bilhões.
O documento faz uma prestação de contas do setor para com a sociedade civil. Foram avaliados os indicadores dos sistemas de transportes de sete capitais (Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), mostrando que 55 empresas ou consórcios de transporte coletivo interromperam sua operação, 13 delas encerraram completamente suas atividades e 89.572 postos de trabalho foram extintos.
Além de fazer um balanço do sistema, o Anuário fala sobre os subsídios para o transporte coletivo urbano por ônibus no cenário nacional. “Importante destacar que 51 sistemas (que atendem 158 cidades) já contam, no momento, com subsídios permanentes, o dobro do total existente antes da pandemia (25 sistemas). Tais ações reduziram os desequilíbrios econômico-financeiros dos contratos e evitaram uma onda de falências das operadoras, além de garantir a continuidade da prestação dos serviços e beneficiar os passageiros com tarifas públicas mais baixas. Esse talvez seja o grande legado deixado pela pandemia, a verdadeira “’luz no fim do túnel’”, que indica um novo caminho na relação entre poderes concedentes e empresas concessionárias”, diz o texto de abertura do Anuário, assinado por Francisco Christovam.
Segundo o presidente da NTU, a queda no número de passageiros, a perda de postos de trabalho e de arrecadação no setor de transporte público coletivo brasileiro já é uma questão estrutural. Ele defende não apenas ações emergenciais, como subsídios e auxílios para custear gratuidades e benefícios sociais, que atualmente recaem sobre o passageiro pagante, mas um novo marco legal dos transportes. “O desafio agora é tornar o que funcionou muitas vezes de forma emergencial em política permanente, por meio da atualização do Marco Legal do Transporte Público e da reestruturação do setor… Somente assim poderemos alcançar a qualidade desejada, com um custo realmente acessível a todas as classes sociais, em benefício das 24,3 milhões de pessoas em todo o Brasil que utilizam os ônibus urbanos para realizar, aproximadamente, 40,4 milhões de viagens todos os dias, exercendo seu direito de ir e vir e movendo a economia do País”, diz.
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