04/06/2025

Missão Internacional do Transporte no Japão debate inovação, gestão e tecnologia aplicada ao setor

Sobre a Missão Internacional

Entre os dias 14 e 26 de maio de 2025, o Japão recebeu a primeira edição de 2025 da Missão Internacional do Transporte, uma iniciativa que levou uma comitiva de executivos e lideranças brasileiras do setor de transporte e logística para uma imersão em temas estratégicos como inovação, inteligência artificial e tecnologias avançadas aplicadas à mobilidade. A programação começou em Osaka com workshops e aulas sobre gestão, transformação digital e cultura organizacional japonesa. A visita incluiu ainda atividades na Expo 2025 Osaka e no Pavilhão do Brasil, com discussões sobre sustentabilidade e o futuro da mobilidade. O encerramento, previsto para o dia 26, tem como foco a aplicação dos aprendizados na realidade brasileira.

Cooperação estratégica entre Brasil e Japão

A Missão é promovida pelo Sest Senat em parceria com o IMD (International Institute for Management Development) e ocorre nas cidades de Kyoto e Osaka. Na cerimônia de abertura, o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, reforçou que os pilares de eficiência japonesa – como organização, disciplina e planejamento – vão além da tecnologia e são fundamentais para o progresso do setor no Brasil. Ele também alertou para a necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura, que ainda representam apenas 0,2% do PIB brasileiro. O embaixador Octávio Côrtes destacou os 130 anos do Tratado de Amizade entre Brasil e Japão e a forte conexão entre os países, que possuem laços históricos e comunidades expressivas em ambos os territórios.

Programação e qualificação executiva

A programação oficial teve início com sessões de aula e um workshop voltados ao contexto internacional da mobilidade e da logística. Os participantes também aprofundam debates sobre o uso da inteligência artificial na gestão empresarial, com foco em análise de dados, tomada de decisão e resolução de problemas complexos. Ao expor os executivos às melhores práticas globais em inovação, produtividade e sustentabilidade, o Japão reforça o compromisso do Sistema Transporte com a formação de lideranças estratégicas. Desde 2018, mais de 450 empresários e executivos já participaram das Missões Internacionais organizadas pelo ITL, em países como Estados Unidos, Israel, Suécia e China.

Valor máximo e resiliência

No primeiro dia da programação, os participantes discutiram a filosofia japonesa de gestão baseada em equilíbrio com os stakeholders, visão coletiva e entrega de valor duradouro. O destaque foi a aula “Valor Máximo”, com o professor Philip Sugai (Doshisha University), que comparou o modelo tradicional ocidental de negócios com o modelo holístico japonês, fundamentado em sete agentes: empresa, clientes, funcionários, parceiros, acionistas, sociedade e planeta. Segundo ele, essa abordagem explica por que o Japão abriga mais da metade das empresas com mais de 200 anos de existência no mundo.

Outro momento marcante foi o workshop sobre resiliência corporativa com Yoshie Sugai, faixa preta em Aikidô. A atividade usou os princípios das artes marciais como metáforas de gestão e destacou o caso da operadora ferroviária Sanriku Railway, que reconstruiu sua malha após terremotos e tufões, guiada por uma cultura organizacional centrada no propósito. A mensagem final reforçou a importância de proteger o “core” — os valores e a missão da empresa — como pilar de sustentabilidade em contextos adversos.

Mais sobre o tema: Gestão com propósito garante longevidade às empresas

Inteligência artificial como aliada estratégica

No segundo dia da missão, os executivos brasileiros foram provocados a refletir sobre o impacto das inteligências artificiais generativas no presente e no futuro das empresas. A aula “GenAI e dados: o panorama global atual”, conduzida por Michael Wade, diretor do TONOMUS Global Center for Digital and AI Transformation, destacou como essas ferramentas já são capazes de economizar, em média, 3h30 por semana nas rotinas corporativas. Além da economia de tempo, o maior ganho, segundo Wade, está na liberação de espaço mental para que os profissionais se concentrem em tarefas estratégicas e interpessoais. No setor de transporte, as aplicações incluem desde o atendimento ao cliente até a gestão da cadeia logística, passando pela análise de documentos fiscais e suporte jurídico.

Experimentação prática e cultura de inovação

Durante uma dinâmica prática, os participantes da missão foram desafiados a utilizar exclusivamente ferramentas de IA generativa para resolver problemas reais, como a criação de estratégias para melhorar a experiência de passageiros no Aeroporto de Guarulhos. As equipes constataram que, embora as tecnologias sejam eficazes em organização de informações e tomada de decisão, seu desempenho em tarefas criativas depende da qualidade dos comandos inseridos. O exercício reforçou que a adoção bem-sucedida dessas soluções requer uma mudança de mentalidade, capacitação técnica contínua e uma abordagem orientada por resultados — evitando o uso por modismo ou curiosidade tecnológica.

Mais sobre o tema: Como a revolução das IAs generativas pode afetar o setor de transporte

Transformação no transporte e filosofia Zen

No terceiro dia da Missão Internacional do Transporte – Japão 2025, especialistas discutiram como transformar a inovação tecnológica em valor real para o setor de transporte. Michael Wade, professor do IMD, ressaltou que a adoção de tecnologias avançadas exige planejamento estratégico claro, equilíbrio organizacional e foco no cliente. Ele apresentou os quatro estágios da transformação digital e destacou a importância de superar a fase do “caos” digital para alcançar uma “agilidade ancorada” – um modelo que combina controle e adaptação contínua. Casos como o da Caterpillar ilustraram como a tecnologia só gera impacto quando vinculada a serviços com valor percebido.

A programação incluiu ainda um workshop sobre filosofia Zen, conduzido pelo sacerdote Daiko Matsuyama, que destacou a importância do bem-estar, da disciplina e da visão de longo prazo na gestão empresarial. O modelo japonês de transporte também foi abordado, mostrando um sistema sem subsídios diretos, mas com forte apoio estratégico e foco na sustentabilidade. Encerrando o dia, Wade abordou os dilemas éticos da automação e da IA, reforçando que a transformação digital no transporte deve estar ancorada em responsabilidade social, ética e desenvolvimento sustentável — exigindo mudanças culturais profundas e capacitação contínua dos profissionais.

Veja mais em: Uso de tecnologias avançadas no transporte exige planejamento e objetivos bem definidos

Expo Osaka 2025

No quarto dia da Missão Internacional Transporte, e primeiro dia da Expo Osaka 2025, a comitiva brasileira explorou pavilhões de países como Japão, Índia, China, Coreia do Sul, Estados Unidos e Brasil. A visita incluiu experiências culturais e tecnológicas, como a produção de biometano a partir de resíduos, a exposição de veículos autônomos, a exibição da malha ferroviária indiana e o uso artístico de materiais recicláveis no espaço brasileiro. Cada país apresentou soluções sustentáveis e inovações voltadas à melhoria da vida e do transporte.

Veja mais em: Uma visita a tudo que o mundo tem a ofrecer Expor Osaka 2025

Uma missão que deixa lições

A participação brasileira na Expo Osaka 2025, por meio da Missão Internacional do Transporte, deixou claro que o país reúne condições únicas para liderar a transição energética no setor de mobilidade. Com uma matriz energética já majoritariamente limpa, diversidade regional que permite soluções sob medida e um setor empresarial engajado em práticas sustentáveis, o Brasil demonstrou que não apenas acompanha as tendências globais, mas também contribui ativamente para moldá-las. O seminário realizado no Pavilhão do Brasil reafirmou o compromisso institucional e político com a descarbonização e o fortalecimento do transporte coletivo, em sintonia com as metas ambientais e sociais do país.

Mais do que uma vitrine de tecnologias, a Expo foi um espaço de aprendizado e articulação estratégica. A troca de experiências com países como o Japão, a presença de autoridades brasileiras e o diálogo entre setor público e privado evidenciam que o futuro da mobilidade sustentável passa por soluções colaborativas e integradas. O Brasil sai da missão mais preparado, mais conectado e com um protagonismo reforçado no cenário internacional da transição energética.

Veja mais em: Brasil tem potencial para liderar transição energética, aponta seminário na Expo Osaka 2025

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