12/10/2025
A Missão Internacional do Transporte – França 2025, promovida pelo Sistema Transporte, aconteceu entre os dias 28 de agosto e 7 de setembro, reunindo 47 representantes entre empresários, parlamentares e executivos para uma semana de atividades no Instituto Europeu de Administração de Empresas (INSEAD) — uma das escolas de negócios mais renomadas do mundo, localizada em Fontainebleau — além de visitas técnicas em Paris. O objetivo foi ampliar a visão de futuro do setor, desenvolver competências de liderança e aproximar o Brasil de modelos de inovação, sustentabilidade e governança que estão moldando o transporte global.

No primeiro dia da programação acadêmica, o professor Joerg Niessing, especialista em marketing e transformação digital, destacou que a verdadeira inovação começa pelo cliente, não pela tecnologia. Segundo ele, muitas empresas fracassam ao confundir digitalização com inovação, esquecendo que o valor real nasce de compreender desejos futuros dos clientes.
Niessing apresentou ainda o modelo baseado em três movimentos estratégicos: vender melhor, com apoio de dados; vender diferente, reinventando a experiência do cliente; e vender o novo, criando modelos transformadores. Para o especialista, o equilíbrio entre tecnologia e relacionamento humano — conceito chamado Tech & Touch — é essencial para a lealdade e vantagem competitiva.
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O professor Ludo Van der Heyden, especialista em governança corporativa do INSEAD, trouxe à Missão Internacional do Transporte – França 2025 o conceito de Fair Process Leadership (FPL), ou liderança por processo justo, destacando que a motivação das equipes depende mais da justiça e transparência do processo de decisão do que de resultados isolados. Ele detalhou um modelo estruturado em cinco etapas — engajar, explorar, explicar, executar e avaliar — e cinco comportamentos de justiça — comunicação, clareza, consistência, capacidade de mudança e cultura — que orientam líderes a envolver continuamente suas equipes, equilibrando consulta e direção, e fortalecendo a confiança organizacional.
Van der Heyden também enfatizou a importância de liderança sistêmica e alinhamento entre hardware (estrutura), software (relações) e peopleware (pessoas). Para ele, ouvir diferentes níveis da organização é crucial, e microgerenciamento ou terceirização do engajamento comprometem resultados. Exemplos históricos, como a recuperação da Nissan por Carlos Ghosn, ilustraram como processos justos podem gerar desempenho extraordinário, mas também alertaram para os riscos da falta de transparência e prestação de contas. O professor reforçou que, no contexto brasileiro, o desafio é planejar com rigor e aplicar métodos testados globalmente para alcançar resultados sustentáveis.
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Durante a visita técnica à Geodis, a delegação brasileira conheceu soluções de logística integrada com foco em baixo carbono e eficiência operacional. Entre os destaques estavam a frota elétrica, veículos movidos a gás natural e biocombustíveis, bicicletas de carga e o projeto Thor, voltado à otimização de rotas. A empresa apresentou ainda seu plano de descarbonização, iniciado em 2017, que prevê a redução de 30% das emissões até 2030, mostrando como inovação e sustentabilidade podem caminhar juntas na operação logística de grande escala.
Na Keolis, os participantes tiveram contato com soluções de mobilidade urbana autônoma e digitalizada, incluindo o Urbanloop, sistema de cápsulas sob demanda testado nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, e a estação Saint-Denis–Pleyel, um exemplo de integração de metrôs automatizados e centros de controle inteligentes dentro do projeto Grand Paris Express. A experiência evidenciou a importância de inovação ágil, permitindo testar, avaliar rapidamente e ajustar ou descartar soluções conforme o desempenho, mostrando como a tecnologia pode transformar o transporte público e a experiência urbana.
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No quinto dia da Missão Internacional do Transporte – França 2025, os participantes exploraram os desafios da tomada de decisão em contextos complexos, com foco nos vieses cognitivos que podem distorcer julgamentos estratégicos. O professor Ziv Carmon, especialista em economia comportamental, destacou que excesso de confiança, atenção seletiva e viés de confirmação são armadilhas comuns que afetam líderes, levando-os a ignorar sinais importantes ou insistir em planejamentos irrealistas. Exercícios práticos mostraram como reconhecer essas limitações é essencial para decisões mais eficazes e fundamentadas.
A agenda também abordou fusões e aquisições (M&A) como ferramenta de crescimento não orgânico, enfatizando a necessidade de equilibrar números e pessoas. O professor Phebo Wibbens apresentou casos internacionais, como o da Danaher Corporation, evidenciando que sucesso em M&A depende de integração disciplinada, monitoramento por indicadores e atenção à retenção de talentos. A mensagem central foi que processos financeiros sólidos devem caminhar lado a lado com estratégias de engajamento e cultura organizacional, garantindo sustentabilidade e continuidade após fusões.
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O professor Felipe Monteiro destacou que a inovação nas empresas consolidadas exige transformação cultural, abertura para experimentar e aprender com erros, e o fortalecimento da identidade organizacional. Ele apresentou iniciativas como o programa My Big Mistake, da Enel, que incentiva executivos a compartilhar falhas para estimular aprendizado e experimentação. Monteiro reforçou que a acomodação é a maior armadilha de líderes e que a verdadeira inovação começa pelo comportamento e mentalidade das pessoas, não pelo organograma ou pela tecnologia isolada.
Além disso, Monteiro abordou a importância da inovação aberta e parcerias externas. Exemplos como a TAG Heuer, que lançou um smartwatch em colaboração com Google e Intel, mostraram como empresas tradicionais podem incorporar tecnologias externas sem perder sua essência. A mensagem central foi que a inovação não substitui o que a organização já faz bem, mas complementa e fortalece seu DNA, permitindo que empresas se reinventem continuamente e se mantenham competitivas em mercados em transformação.
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No último dia, o professor Joerg Niessing conduziu duas palestras sobre insights de clientes, uso de dados e estratégias de crescimento. Ele destacou que dados devem ser transformados em valor, mas a tecnologia, sozinha, não garante sucesso.
Niessing reforçou que colocar o cliente no centro da estratégia, investir em cultura ágil e capacitar equipes são pilares para uma transformação digital eficaz e duradoura. A mensagem final foi clara: crescimento sustentável depende do equilíbrio entre tecnologia, pessoas e propósito.
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Ao longo da semana, os 47 representantes brasileiros participaram de aulas executivas no INSEAD, visitas técnicas a empresas inovadoras e encontros estratégicos sobre logística, mobilidade e sustentabilidade. O aprendizado reforçou que empresas precisam se reinventar continuamente.
O encerramento da missão deixou como legado o compromisso de aplicar os conhecimentos adquiridos para transformar o transporte brasileiro, fortalecendo a competitividade do setor e ampliando a cooperação internacional.
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