27/01/2023

“É uma benção ajudar uma vida a vir ao mundo”

Foto extraída das redes sociais

O motorista da Transportes Barra, Anderson Duarte, 46 anos, viveu uma experiência única e emocionante, no dia 23 de janeiro, quando cumpria sua jornada de trabalho. Ele ajudou no parto de uma criança, dentro do ônibus que dirigia. Em entrevista para o jornal o Dia de 26 de janeiro, Anderson conta como tudo aconteceu: “foi uma situação que eu nunca pensei que passaria na vida… Eu parei para ajudar sem saber que ela estava grávida, foi um estalo. Quando vi, a criança já estava saindo. Só tive tempo de segurar com firmeza”, disse.

Segundo Anderson, tudo começou quando avistou uma jovem que parecia se sentir mal, em Senador Camará, na Zona Oeste do Rio. Ele observou, de dentro do ônibus, que a jovem tentava pegar um táxi, mas não estava conseguindo. Então, resolveu ajudar. Ele encostou o ônibus para que ela pudesse embarcar e levá-la até a UPA mais próxima ou até a Polícia, para ser socorrida. Mas, ela mal conseguiu subir no veículo; se deitou no chão, ainda nas escadas. Foi aí que Anderson se deu conta de que ela estava grávida e que a criança estava nascendo. “É uma benção ajudar uma vida a vir ao mundo. Até agora estou tentando racionalizar tudo o que aconteceu. É muita coisa boa vindo ao mesmo tempo, graças a Deus. Minha família está orgulhosa, meus colegas de trabalho me parabenizaram. É algo que jamais vou esquecer”, disse na matéria do O Dia.

No dia 27 de janeiro, a colunista do jornal O Globo, Ruth de Aquino escreveu um artigo intitulado “Um motorista atropelado pelo milagre da vida”. O texto é a narrativa de Anderson sobre o episódio, todo escrito na primeira pessoa. No final, ele fala um pouco de si mesmo. “Eu? Eu sou uma pessoa simples. Tenho mulher e duas filhas, elas ficaram muito orgulhosas de mim. Eu ando muito de bicicleta, pedalo bastante, jogo bola. Comecei a trabalhar aos 16 anos, descarregando caminhão. Sou formado em eletrotécnica. Trabalhei em empresa de telecomunicações, mas com a fusão que teve, houve corte e eu era muito novo. Há seis anos sou motorista. Minha mãe é carioca, meu pai era baiano. Não tenho religião, mas tenho fé em Deus. Sou Fluminense. Sempre quis conhecer os jogadores, mas o que mais quero na vida é encontrar o bebê do ônibus. Fui duas vezes ao hospital, mas não me deixaram entrar. Não consegui ver o bebê ainda. Nem sei o nome da mãe”.

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