18/10/2025

COP30 em Belém impulsiona agenda de transporte limpo e consolida o Brasil como referência em sustentabilidade

O que é a COP30?

A Conferência das Partes (COP30) é o 30º encontro anual dos países signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). Marcada para ocorrer no mês que vem dos dias 10 a 21 de novembro em Belém, no Brasil, a COP30 reunirá governos, cientistas, setor privado, organizações da sociedade civil e demais atores globais para debater soluções, assumir compromissos e fortalecer a ação climática mundial. A escolha da Amazônia como sede reforça a urgência da proteção dos biomas tropicais e destaca a relevância do Brasil no enfrentamento das mudanças climáticas.
Na COP30, as atividades se distribuem principalmente entre duas áreas: a Blue Zone e a Green Zone. A Blue Zone é uma área controlada pela ONU e acessível apenas a delegações oficiais, sendo o local onde ocorrem as negociações formais entre os países, além de eventos paralelos organizados por governos e instituições credenciadas. Já a Green Zone é um espaço aberto ao público, dedicado a debates, exposições e iniciativas promovidas por organizações da sociedade civil, setor privado, universidades e outros atores não governamentais, funcionando como ambiente de diálogo e mobilização em torno da ação climática.

 

No início de 2024 o Pará começou a investir em ônibus elétricos para descarbonizar transporte na COP30

O governo do Pará encomendou, em fevereiro de 2024, 40 ônibus elétricos da fabricante brasileira Eletra para integrar o sistema BRT da região metropolitana de Belém, com entrega prevista entre setembro e outubro de 2024. Com investimento de R$ 120 milhões, os veículos zero emissão terão 12,1 metros de comprimento, capacidade para 75 passageiros e autonomia de até 250 km, reforçando o compromisso do estado com a descarbonização em preparação para sediar a COP30 em 2025.

Os ônibus serão produzidos na fábrica da Eletra em São Bernardo do Campo (SP), inaugurada em junho de 2023, que utiliza tecnologia 100% brasileira, incluindo componentes da Caio, WEG e chassis Mercedes-Benz. A planta tem capacidade para fabricar inicialmente 150 ônibus elétricos por mês, podendo chegar a 1.800 unidades por ano. O projeto faz parte de um plano de investimento de R$ 150 milhões em modelos sustentáveis, que já estão em operação em cidades como São Paulo, Salvador, Vitória e Curitiba.

Leia Mais: Pará encomenda 40 ônibus elétricos da Eletra para COP30
WEG impulsiona mobilidade elétrica no projeto de eletrificação para 40 ônibus em Belém (PA)

A aquisição dos novos ônibus elétricos foi viabilizada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel), com apoio de benefícios fiscais concedidos pelos governos municipal e estadual. A isenção de impostos como ISS e taxa de gerenciamento pela Semob, combinada com a desoneração do ICMS e IPVA estadual, tornou o investimento mais acessível e estratégico para a renovação da frota da região metropolitana. Além dos 300 veículos já adquiridos pelo Sindicato, o acordo homologado pela justiça prevê a chegada de mais 265 ônibus elétricos pelo governo estadual e outros 130 ônibus ou 200 micro-ônibus pela Prefeitura de Belém, reforçando o compromisso com a mobilidade sustentável e acessível.

No dia 20 de março de 2024, o prefeito Edmilson Rodrigues visitou a fábrica da CAIO, onde destacou a importância dessa renovação para a cidade. Ele ressaltou as condições climáticas da região amazônica e expressou sua expectativa de que os novos veículos vão revolucionar o sistema de transporte público local. Os ônibus foram projetados para garantir acessibilidade e segurança, com elevadores para cadeirantes, espaços reservados e sistemas de monitoramento por câmeras e GPS em tempo real. A frota renovada também inclui veículos a diesel com tecnologia BlueTec 6 da Mercedes-Benz, que reduz significativamente a emissão de poluentes, alinhando qualidade ambiental e eficiência operacional. O diretor industrial da CAIO, Wilson Cavalari, também destacou a satisfação da empresa em contribuir com veículos de qualidade e assistência técnica para o projeto.

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Infraestrutura verde nas estradas rumo à COP30 foi tema de um dos primeiros seminários do “Brasil rumo à COP30” em novembro de 2024

Foto: Luiz Siqueira/MT

Durante o seminário “Brasil rumo à COP30”, realizado em 26 de novembro de 2024 em Brasília, o ministro dos Transportes, Renan Filho, reforçou o papel das rodovias na agenda ambiental do país. Segundo ele, estradas mal conservadas aumentam a emissão de poluentes, e por isso o Governo Federal tem ampliado os investimentos em infraestrutura com foco na sustentabilidade. A proporção de rodovias classificadas como boas passou de 52% em 2022 para 75% em 2024, o que ajuda a reduzir o consumo de combustível e o desgaste dos veículos, ao melhorar a fluidez do tráfego e diminuir frenagens e reacelerações.

O ministro também anunciou que, a partir da quinta rodada de concessões, 1% da receita arrecadada será destinada à inovação e à descarbonização no setor rodoviário. A iniciativa é inédita e representa um passo importante para alinhar a infraestrutura de transportes às metas climáticas que o Brasil apresentará na COP30, em Belém. Ele ainda destacou a importância do diálogo com comunidades indígenas e da construção de obras sustentáveis, capazes de acompanhar o crescimento econômico e garantir a resiliência das estradas frente às mudanças climáticas.

Leia mais: Investimento histórico melhora rodovias e impacta na redução de emissão de gases no país, afirma Renan Filho em seminário “Brasil rumo à COP30”

 

Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática das cidades paulistas, feito em janeiro deste ano, será apresentado para a COP30

A preparação para a 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente (5ª CNMA) mobilizou diversas cidades paulistas na articulação do Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (PEARC), que será apresentado na COP30. A urgência desse planejamento foi intensificada após o estado de São Paulo enfrentar, em 2024, um recorde de grandes queimadas e focos de incêndio. Tais eventos extremos expuseram a vulnerabilidade da infraestrutura e dos serviços essenciais, reforçando a necessidade de ações concretas de adaptação e resiliência para proteger o setor produtivo e a população.

Municípios como Cotia, Osasco, Carapicuíba e outros promoveram conferências municipais com foco em temas como mitigação, adaptação e justiça climática. Em Osasco, o evento ocorreu em dezembro de 2024, enquanto em Cotia foi em janeiro de 2025. Essa mobilização regional visa garantir a representatividade dos municípios nos debates nacionais e dar base técnica e política ao PEARC paulista, consolidando uma resposta coletiva às emergências ambientais e fortalecendo a presença do estado na agenda climática internacional.

 

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Articulação regional para Conferência Nacional do Meio Ambiente

Convocação da 1ª conferência municipal do meio ambiente do município de Cotia

Iniciativa do Cittamobi apoia o Plano de Ação Climática de São Paulo

Em uma ação conjunta inédita, o aplicativo de mobilidade Cittamobi e a Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas da Prefeitura de São Paulo (SECLIMA) lançaram uma pesquisa para captar a percepção dos cidadãos sobre as mudanças climáticas. A iniciativa teve início em 25 de janeiro, aniversário da cidade, e se estendeu até 15 de fevereiro de 2025. A proposta visou estimular o engajamento da população em ações de mitigação e adaptação climática, fornecendo dados relevantes para orientar políticas públicas e subsidiar o Plano de Ação Climática do Município de São Paulo (PlanClima SP), que será apresentado na COP30.

O PlanClima SP, sob coordenação da SECLIMA, reúne 43 ações e 54 metas que visam reduzir em 50% as emissões de gases de efeito estufa até 2030 e alcançar emissões líquidas zero até 2050. A parceria com o Cittamobi permite atingir diretamente usuários do transporte público por meio de uma plataforma já consolidada, ampliando o alcance da pesquisa e incentivando práticas sustentáveis no cotidiano dos paulistanos. Ao conectar mobilidade inteligente e consciência ambiental, a iniciativa reforça a importância da participação popular na construção de uma cidade mais resiliente e sustentável.

Leia Mais: Cittamobi e SECLIMA Promovem Pesquisa Especial no Aniversário de São Paulo

Programa Pacto Rumo à COP30 e Hub de Biocombustíveis e Elétricos orientam ações da Scania pela descarbonização

Em fevereiro de 2025, a Scania deu um passo importante rumo à descarbonização ao substituir o uso de gás natural por biometano renovável em sua unidade industrial de São Bernardo do Campo (SP). A mudança, que reduzirá cerca de 250 toneladas de CO₂ fóssil por mês, reforça o compromisso ambiental da empresa e seu alinhamento às metas de redução de emissões estabelecidas pela Science Based Targets initiative (SBTi). Segundo Christopher Podgorski, presidente e CEO da Scania para a América Latina, o uso do biometano exemplifica a economia circular ao transformar um passivo ambiental em uma fonte energética renovável, utilizada desde as estufas de pintura até o abastecimento de empilhadeiras e veículos logísticos da empresa.

Essa ação está diretamente conectada ao Programa Pacto Rumo à COP30 e ao Hub de Biocombustíveis e Elétricos, que conta com 83 empresas de setores como logística, infraestrutura e energia. O Hub foi lançado no evento SDGs in Brazil, em Nova Iorque, e promove capacitação e articulação entre os atores da cadeia do transporte rodoviário para acelerar a transição energética no país. Guilherme Xavier, Diretor-Executivo interino do Pacto Global – Rede Brasil, destacou que a iniciativa busca construir uma jornada colaborativa rumo à descarbonização, com foco na implementação de projetos e no compartilhamento de boas práticas. Para Podgorski, superar os desafios da crise climática exige decisões integradas e articulação entre empresas e setores, tornando o trabalho coletivo essencial para a construção de soluções sustentáveis e viáveis para o futuro do transporte.

Leia Mais: Scania inicia o uso de biometano em sua operação industrial no Brasil

Ainda em fevereiro, o Infra Talks, a nova série de conversas, abordou a agenda estratégica de 2025

O Ministério dos Transportes lançou o Infra Talks, uma série de encontros que reunirá especialistas e gestores públicos para debater o papel das concessões na construção de uma infraestrutura mais sustentável e resiliente. A iniciativa é uma parceria com a ANTT e o IBEJI, e teve sua primeira edição no dia 27 de fevereiro, na B3, em São Paulo. O objetivo foi transformar boas práticas em políticas públicas concretas, alinhadas às metas ambientais globais e aos compromissos do Brasil na COP30.

Um dos principais temas abordados foi o Bloco de Concessão Norte (CN5), que integra o Programa de Concessões do Governo Federal. Esse projeto visa não apenas aprimorar a logística e impulsionar o desenvolvimento regional, mas também adotar soluções que reduzam o impacto ambiental das operações rodoviárias. Segundo o Ministério, o Brasil vive um momento histórico no setor de transportes, e as concessões precisam acompanhar essa evolução com foco na sustentabilidade.

O evento também contribuiu com a agenda estratégica de 2025, ano da realização da COP30 em Belém. A programação incluiu o painel “O Papel das Concessões de Transportes para a Resiliência da Infraestrutura”, que discutiu como enfrentar os desafios climáticos e operacionais por meio de modelos sustentáveis de concessão. Para a ANTT e os organizadores, o Infra Talks reforça o papel das concessões não apenas como instrumento de desenvolvimento econômico, mas como vetor de transformação ambiental.

Leia mais: Infra Talks: Sustentabilidade e inovação no centro das concessões de infraestrutura

Veja a transmissão feita do Infra Talks: ANTT no YouTube

Marcopolo aposta em múltiplas rotas sustentáveis e destaca os programas MOVER e FINEP

Em 28 de março, durante o Amcham COP30 Business Forum, a Marcopolo destacou sua estratégia multifrente para contribuir com a descarbonização do transporte coletivo, em um setor que figura entre os seis maiores emissores de carbono no mundo. No painel “Soluções para Mobilidade”, o CEO André Armaganijan defendeu que a transição energética precisa considerar a diversidade das realidades regionais e das matrizes energéticas globais. Por isso, a empresa vem desenvolvendo tecnologias que incluem ônibus 100% elétricos, híbridos (etanol/elétrico), veículos movidos a gás natural, biometano e, mais recentemente, motores a hidrogênio.

A aposta da Marcopolo em veículos movidos a hidrogênio foi apresentada como uma alternativa promissora para rotas intermunicipais, devido à maior autonomia e à redução da quantidade de baterias necessárias. Armaganijan também citou o micro-ônibus a biometano, já em testes, e reforçou o papel da empresa no desenvolvimento de soluções ferroviárias — alinhadas ao mercado de carbono e à diversificação da mobilidade sustentável. A proposta é clara: não há uma solução única, e sim um portfólio tecnológico capaz de atender diferentes demandas ambientais e logísticas.

O executivo ainda destacou a importância de políticas públicas para fomentar a inovação no setor, como os programas Mover e Finep, que financiam pesquisa e desenvolvimento. No entanto, ele chamou atenção para a necessidade de linhas específicas de crédito voltadas à renovação de frota, como forma de acelerar a retirada de veículos antigos e mais poluentes das ruas. A participação da Marcopolo no fórum reforçou seu posicionamento como agente ativo na transição para um transporte coletivo mais limpo, eficiente e adaptado aos desafios climáticos da próxima década

Leia mais: Marcopolo marca presença no COP30 Business Forum

Marcopolo expõe iniciativas de descarbonização durante Amcham COP30 Business Forum

 

Ministério dos Transportes participará da Estação do Desenvolvimento na COP30

Em 22 de abril de 2025, foi anunciada a participação do Ministério dos Transportes na Estação do Desenvolvimento – Transporte, Infraestrutura e Sustentabilidade, um espaço criado para promover debates sobre descarbonização, inovação tecnológica e infraestrutura sustentável durante a COP30, que será realizada em Belém (PA). A iniciativa busca posicionar o setor de transportes como protagonista na agenda climática global, por meio de políticas públicas que promovam a redução das emissões e o desenvolvimento sustentável.

Liderada pelo Sistema Transporte (CNT, SEST SENAT e ITL), com apoio de ministérios e entidades representativas, a Estação do Desenvolvimento contará com uma programação diversificada e intensa, incluindo painéis de alto nível, rodadas de negócios, experiências interativas e atrações culturais. A governança da Estação foi estruturada para garantir ampla representatividade, com a participação também de universidades locais e nacionais, fortalecendo o vínculo entre pesquisa, inovação e políticas públicas.

Foto: Rayssa Tenório/Ministério dos Transportes

Entre os assuntos prioritários estarão a transição energética, o financiamento verde e a infraestrutura resiliente, ampliando o escopo dos debates para soluções que integrem sustentabilidade econômica, ambiental e social

Durante a cerimônia de lançamento, foram firmados três acordos de cooperação técnica com o Ministério dos Transportes, o Ministério de Portos e Aeroportos — que atuarão como coorganizadores — e o Pacto Global da ONU, que dará apoio institucional ao projeto. Essas parcerias são consideradas estratégicas para assegurar debates relevantes e o sucesso da iniciativa, que representa um marco na participação do setor de transportes brasileiro na COP30.

O secretário-executivo George Santoro destacou os avanços em concessões rodoviárias e ferroviárias, bem como o lançamento do novo Plano Nacional de Logística (PNL), que prioriza a intermodalidade por meio dos corredores logísticos. Essa integração entre modais visa aumentar a eficiência e a sustentabilidade do transporte, constituindo uma base importante para as contribuições brasileiras na COP30.

Para o presidente da CNT, Vander Costa, a Estação do Desenvolvimento será fundamental para fortalecer o debate sobre o futuro sustentável da mobilidade brasileira. Ele enfatizou o momento ímpar do setor, marcado pela quadruplicação dos investimentos federais em infraestrutura nos últimos anos, sem abrir mão da participação privada, garantindo que o crescimento caminhe junto com a responsabilidade ambiental e social — mensagem que o setor rodoviário brasileiro levará com destaque à COP30.

Leia Mais: Ministério dos Transportes firma parceria para integrar a Estação do Desenvolvimento na COP30

Sistema Transporte lança Estação do Desenvolvimento que será instalada na COP30

Empresas com atuação direta ou indireta no setor de transporte podem se tornar patrocinadoras da Estação do Desenvolvimento, colaborando com a agenda climática e ganhando visibilidade em um dos espaços mais estratégicos da COP30. Para saber mais sobre as cotas e formas de participação, acesse: cop30.sistematransporte.org.br.

 

Coalização para descarbonização dos transportes propôs, em maio, plano inédito para reduzir em 70% as emissões dos transportes até 2050

Foto: Michel Corvello/Ministério dos Transportes

Em 12 de maio, no evento Brasil Rumo à COP30, a Coalizão para a Descarbonização dos Transportes – composta por mais de 50 entidades do setor – apresentou ao Governo Federal um plano robusto com 90 ações para reduzir em até 70% as emissões do setor até 2050. O estudo, que servirá de apoio para o novo Plano Nacional de Mudança do Clima e para a próxima Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), foi endossado pelo Ministério dos Transportes.

Para viabilizar essas transformações, a proposta demanda cerca de R$ 600 bilhões em investimentos e aponta três grandes vetores para a redução das emissões: (1) o reequilíbrio da matriz de transportes, com maior participação de ferrovias e hidrovias (que consumirá mais de R$ 270 bilhões); (2) a ampliação do uso de biocombustíveis — como etanol, biodiesel e biometano; e (3) a eletrificação da frota, especialmente de carros leves e ônibus urbanos (que exigirá R$ 40 bilhões apenas em infraestrutura de recarga elétrica). Juntas, essas ações têm potencial para evitar a emissão de 287 MtCO₂e até 2050, o equivalente ao plantio de 13,67 bilhões de árvores.

No modal rodoviário, responsável por mais de 90% das emissões do setor, o uso de biocombustíveis surge como uma solução viável e imediata, inclusive para veículos pesados. O plano projeta o crescimento de 18% no volume de cargas transportadas por rodovias, mas busca reduzir sua participação relativa por meio de concessões ferroviárias e soluções multimodais. Também há previsão de que a demanda por biocombustíveis salte dos atuais 30 bilhões para 55 bilhões de litros em 2050, com destaque para o uso de SAF na aviação, que pode atingir 1,1 bilhão de litros, representando 22% da matriz aérea. O documento prevê ainda que 11% das aeronaves estejam operando com combustíveis sintéticos no período.

Na mobilidade urbana — responsável por 45% das emissões nas cidades — o plano organiza 21 alavancas em três frentes: (1) evitar deslocamentos por meio de adensamento urbano e redesenho de rotas; (2) estimular a migração para modais mais sustentáveis, como transporte coletivo, bicicletas e metrô; e (3) melhorar a eficiência energética com eletrificação da frota, integração tarifária e criação de zonas de baixa emissão. O investimento estimado é de R$ 53 bilhões, conforme previsto no novo PAC. A Motiva, líder em infraestrutura de mobilidade no Brasil, tem atuado como uma das principais articuladoras da iniciativa, e vê na agenda da descarbonização não apenas uma pauta ambiental, mas também uma alavanca para o desenvolvimento econômico, inovação e qualidade de vida nas cidades.

A relevância do plano reside na sua ampla representatividade. A Coalizão é formada por mais de 50 organizações dos setores público, privado, acadêmico e da sociedade civil, lideradas por entidades de peso como Motiva, CEBDS, CNT e o Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável (Insper). Essa união de forças se reflete nas propostas concretas do Ministério dos Transportes, que defendeu a inclusão de cláusulas obrigatórias nos contratos de concessão relacionadas à transição energética e à proteção ambiental. Essa medida visa garantir que o desenvolvimento da infraestrutura, a responsabilidade socioambiental e a inclusão social caminhem juntos, transformando a agenda de sustentabilidade em um pilar de desenvolvimento econômico para o setor.

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Coalizão propõe plano para reduzir em 70% as emissões do transporte até 2050

 

 

No início de Junho, Grupo Next assumiu operação do BRT na grande Belém

Foto: Raphael Luz / Ag. Pará

No dia 8 de junho, sistema BRT Metropolitano da Região Metropolitana de Belém teve sua concessão oficialmente homologada e será operado pela iniciativa privada. A vencedora do processo licitatório foi a BRT Amazônia S.A., subsidiária do grupo Next Mobilidade. A empresa assume a responsabilidade pela programação, operação e controle do sistema, que deverá interligar os municípios de Belém, Ananindeua e Marituba por meio de corredores exclusivos, estações climatizadas e frota 100% nova.

O Governo do Pará homologou, em 8 de junho, a concessão do sistema BRT Metropolitano da Região Metropolitana de Belém, que será operado pela iniciativa privada. A vencedora da licitação foi a BRT Amazônia S.A., subsidiária do grupo Next Mobilidade, responsável pela programação, operação e controle do sistema, que interligará Belém, Ananindeua e Marituba por meio de corredores exclusivos, estações climatizadas e frota totalmente nova.

Com início de operação experimental previsto para dezembro de 2025, o projeto abrange 10,8 km de corredores na BR-316, 13 estações de embarque com acessibilidade e integração tarifária. A infraestrutura será acompanhada por sistemas modernos de bilhetagem eletrônica, GPS, atendimento ao usuário e painéis de informação em tempo real. O investimento supera R$ 400 milhões, financiado em grande parte pela Caixa via FGTS, e inclui a compra de 265 ônibus — sendo 40 elétricos com tração Eletra. Todos os veículos contarão com ar-condicionado, entradas USB, acessibilidade e câmeras de monitoramento.

O contrato de concessão tem validade de 15 anos e marca uma mudança estrutural na gestão do transporte metropolitano, agora sob responsabilidade de uma operadora privada. A Next Mobilidade, por meio da BRT Amazônia, também será responsável pela gestão da garagem, treinamento de pessoal, limpeza, segurança e operação integral do sistema. O Governo do Pará, por sua vez, permanece como titular da infraestrutura e seguirá atuando na fiscalização e regulação do serviço, por meio da Artran.

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BRT Amazônia é oficialmente contratada para operar transporte metropolitano em Belém

 

 

Ainda em junho, parceria estratégica com o Pacto Global fortaleceu a Estação do Desenvolvimento

Em 18 de junho, o Pacto Global da ONU, maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo, foi confirmado como o primeiro parceiro institucional da Estação do Desenvolvimento – Transporte, Infraestrutura e Sustentabilidade.

“A presença do Pacto Global na Estação do Desenvolvimento fortalece o comprometimento com um futuro mais verde ao demonstrar que o setor de transporte reconhece seu papel importante como redutor do impacto ambiental e está engajado em parcerias importantes para buscar soluções efetivas em prol da descarbonização e da adoção de práticas sustentáveis”, afirmou o diretor adjunto nacional do SEST SENAT, Vinicius Ladeira.

O Pacto Global reúne empresas e organizações comprometidas com princípios ambientais, sociais e de governança. No setor de transportes, atua no estímulo à redução de emissões de carbono, promoção da eficiência energética e adoção de tecnologias limpas. O Sistema Transporte é parceiro ativo da iniciativa e, desde 2023, apoia os Dez Princípios do Pacto e promove os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no setor.

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Fórum Nordeste 2025: Ferrovia Transnordestina, irá substituir parte do transporte rodoviário por ferroviário, reduzindo emissões de gases poluentes

Foto: Wesley D’Almeida/ Ministério de Portos e Aeroportos

Com a COP30 se aproximando, o Fórum Nordeste 2025, realizado em Recife (PE), reforçou o papel estratégico da infraestrutura sustentável para o desenvolvimento econômico e ambiental do país. Entre os temas em destaque estiveram a retomada da Ferrovia Transnordestina, a integração com a Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) e o avanço dos combustíveis do futuro, como o etanol, no processo de descarbonização.

A Transnordestina foi apontada como um marco logístico e ambiental para o Nordeste, ao ampliar a competitividade da produção agrícola e industrial e reduzir as emissões de gases poluentes com a substituição do transporte rodoviário por ferroviário. As obras já empregam mais de quatro mil trabalhadores, e a licitação do trecho em Pernambuco, prevista para outubro, deve elevar esse número a seis mil, consolidando o empreendimento como a maior obra linear de infraestrutura em andamento no país.

O encontro também destacou o papel da infraestrutura resiliente frente aos impactos climáticos, com ações voltadas à eficiência energética, inovação e sustentabilidade. A Taxonomia Sustentável Brasileira foi apresentada como um instrumento essencial para direcionar investimentos a projetos de baixo carbono, orientando o setor de transportes na transição energética. Já o debate sobre o setor sucroenergético e a produção de etanol reforçou o potencial brasileiro na oferta de combustíveis limpos e na integração entre mobilidade, energia e sustentabilidade — temas centrais da agenda nacional rumo à COP30.

Leia Mais: Infraestrutura de transportes tem papel fundamental no fomento à economia de baixo carbono

 

Legado da COP30

Realizada em Belém, a COP30 marca um momento histórico para o Brasil e para o setor de transportes. As ações e compromissos firmados até aqui indicam que a descarbonização não é mais uma meta distante, mas um caminho em construção, guiado pela inovação, pela cooperação e pela responsabilidade ambiental.

 

 

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