15/09/2025
O gerente de Planejamento e Controle da Semove, o engenheiro Guilherme Wilson, foi um dos palestrantes da 10ª edição do Seminário Cidades Verdes, promovido pelo Instituto Onda Azul, com a parceria da Federação, dias 10 e 11 de setembro, no auditório da Firjan, no Centro do Rio. Wilson
participou do painel que debateu o tema “Precisamos falar sobre a necessidade de petróleo”, no segundo dia do evento. Ele abordou a transição energética no Brasil, com foco no setor de transporte público, e destacou os avanços na área de energias renováveis e os desafios de uma “transição energética justa”.
Segundo o engenheiro, 47% da matriz energética do Brasil hoje são renováveis. “É disparado, talvez, o país com a melhor matriz energética do planeta. O mundo está com 14%; o restante é fóssil. Portanto, não podemos perder o contexto do que já alcançamos, de onde nós estamos… No caso da matriz energética do meio elétrico, esse índice é de 86%, enquanto no mundo são menos de 30%. Então, nós estamos três vezes maiores que o mundo”, esclarece. Ele informou ainda que a energia hidráulica/hidrelétrica responde atualmente por cerca de 55% de toda energia elétrica útil consumida no país. “São 30% a menos do que há 20 anos. E quem passou a gerar e complementar? Eólica, com 14%, e solar, com 10%. Isso é transição energética e ela tem sido planejada e executada a nível federal”, defendeu.
Ao falar sobre a transição energética no segmento de transporte público por ônibus, Wilson fez um importante alerta: “precisamos estar atentos para que seja feita uma transição energética justa, porque quem ganha menos não pode pagar mais. No setor de ônibus, essa transição vem gerando um custo para quem ganha menos, porque, da maneira como está sendo proposta, não é possível promovê-la sem que o custo seja repassado para a tarifa do usuário”.
Oito vezes mais eficiente
Ao exibir uma imagem mostrando que o espaço ocupado por um ônibus corresponde ao de 53 automóveis e 70 pessoas, Wilson ressaltou que, além do ônibus ter a capacidade de transportar o mesmo número de passageiros de todos aqueles carros juntos, cada cidadão que opta pelo transporte público ao invés do individual contribui para emitir oito vezes menos CO2. “Porém, nos últimos 10 anos e principalmente após a pandemia, as pessoas estão deixando de utilizar o ônibus e passando a usar o automóvel. O transporte por ônibus perdeu 50% dos passageiros e nós não estamos conseguindo reverter esse quadro”, afirmou.
Segundo Wilson, de nada adiantará o investimento em veículos menos poluentes se os automóveis continuarem avançando como meio de transporte entre a população. “Nós estamos falando em eletrificar a frota de ônibus, em adotar veículos 100% a hidrogênio… Mas, não há sustentabilidade sem priorizar o transporte coletivo, que é oito vezes mais eficiente em termos de emissão de CO2”. O gerente informou que no Rio de Janeiro, por exemplo, dos 52% das emissões provenientes dos ônibus já reduzidas, uma parte vem do fato de que há menos ônibus nas ruas, devido à queda na demanda. “Parte é por causa da tecnologia, parte pelo biodiesel e parte porque as pessoas estão substituindo o ônibus por automóveis”.
Potencial brasileiro
O potencial do Brasil para a produção de diesel verde, biogás e hidrogênio verde foi outro aspecto destacado pelo engenheiro. Ele defendeu que o ônibus elétrico tem seu espaço dentro do setor de transporte coletivo, mas não deveria ser considerado como principal solução, tendo em vista o alto custo e o aumento do consumo de energia elétrica.
Wilson lembrou que os veículos a diesel no Brasil já estão na geração Euro 6. “Comparados aos ônibus das primeiras gerações, esses reduzem em 98% as emissões de poluentes locais, que são aqueles prejudiciais à saúde pública. Só faltam 2%. Então, trocar um veículo desses por um veículo elétrico é focar em 2% do problema. Nós precisamos ter noção disso… Temos o diesel verde, o biogás que poderia substituir 70% do diesel total consumido no Brasil… Tudo isso é combustível renovável. Esses são alguns dos caminhos”, ressaltou.
Ônibus x carros
Sobre a participação do transporte por ônibus urbano no consumo de óleo diesel no Brasil e consequentemente nas emissões, o gerente reforçou que é a menor entre os setores da economia. “Tendo como base o consumo total de diesel no Brasil, o ônibus é responsável por apenas 4%. Com relação às emissões de gases de efeito estufa, os ônibus urbanos respondem por somente 0,15% do total do País. “Portanto, a pergunta é: o problema das emissões no Brasil está nos ônibus ou nos carros?”, finalizou.
Também integraram a mesa como palestrantes: Gabriel Krospch, sócio-fundador da Sinergás e presidente do Conselho de Energia da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), e Rafael Almada, reitor do Instituto Federal do Rio de Janeiro e vice-presidente do Conselho Federal de Química. A mediação ficou a cargo do jornalista Gabriel Vasconcelos, da Agência Infra. O professor e climatologista Carlos Nobre, que participaria do painel, enviou mensagem através de vídeo. No primeiro dia de evento, a diretora de Mobilidade Urbana da Semove, Richele Cabral, participou do painel sobre o tema “As cidades precisam oferecer qualidade de vida a seus cidadãos”.
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