28/03/2023

Brasil pode ter maior frota de ônibus elétricos da América Latina

Algumas leis já implementadas em cidades brasileiras direcionando para o uso de veículos elétricos fazem acreditar que, nos próximos dois anos, o Brasil poderá ter a maior frota de ônibus elétricos da América Latina, chegando a aproximadamente 3 mil unidades e tornando o País um dos protagonistas na diminuição das emissões de gás carbônico no transporte público. A previsão é de Edgar Barassa, especialista e pesquisador nas áreas de eletromobilidade, energias renováveis e tecnologias emergentes de baixo carbono, e foi exposta num dos painéis da segunda edição do “Ampère – Ecossistema de Mobilidade Elétrica no Brasil”, um dos maiores eventos de mobilidade elétrica e energias renováveis do País, realizado de 22 a 25 de novembro, no Mineirão, em Belo Horizonte (MG).

De acordo com a plataforma ­e-bus Radar, o ­País conta, hoje, com apenas 68 ônibus elétricos a bateria em uso no transporte público, enquanto a Colômbia já possui 1.589 e o Chile, 849. A perspectiva, no entanto, segundo Barassa, é de “superar esses números devido ao volume de frota total que o Brasil tem no transporte público e aos compromissos estabelecidos”. Somente a cidade de São Paulo deverá contar com 2.600 unidades em 2024. A capital paulista aprovou a Lei no 16.802, de Mudanças Climáticas, que tornou obrigatória a transição energética dos transportes via descarbonização para todo ônibus novo que entrar em circulação. Estudo do ICCT (International Council on Clean Transportation) e do C40 Cities (Grupo de Grandes Cidades para Liderança Climática) destaca que a proibição de novos ônibus a diesel em São Paulo poderá evitar emissões acumuladas da ordem de 1.924.662 toneladas de CO2 entre 2022 e 2028, tendo em vista a introdução de 2.602 ônibus de emissão zero até o final de 2024 e 6.602 em 2028.

Outro importante avanço para o Brasil dar-se-á no mercado de produção de células para baterias de veículos elétricos. Neste caso, segundo Barassa, Minas Gerais tem caráter estratégico, e a previsão é que a aceleração desse processo de eletrificação impulsione a economia mineira, gerando demanda significativa na produção de baterias. “As matérias-primas que compõem as baterias, como lítio e seus derivados, são encontradas em abundância em solos mineiros, fazendo com que o Estado tenha uma participação estratégica no crescimento e abastecimento desse mercado”, observa. Mas, para isso, o especialista alerta que Minas precisará desenvolver competências em pesquisa, desenvolvimento e manufatura e investir na especialização da mão de obra.

Como um dos maiores produtores de ônibus urbanos do mundo, atrás apenas da China e da Índia, o Brasil pode também se tornar um grande produtor de ônibus elétrico. Para isso, Barassa sugere que será necessário um trabalho de transição. “Se trouxermos o ônibus elétrico importado, perdemos o efeito multiplicador de criação de renda interna, abrindo mão de capturar valor e de gerar emprego e conhecimento”, defende. De acordo com estudo feito para a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina) , a cada R$ 1 milhão em vendas relacionadas a ônibus elétricos, promove-se a geração de 15 empregos na economia. Em termos de impactos para o PIB, o cenário ideal apresenta um incremento na ordem de 0,04% (cerca de R$ 3,1 bilhões) por ano. Em termos de geração de impostos, a arrecadação acumulada poderia chegar a R$ 44,3 bilhões em 2050.

Além do aspecto econômico, a eletrificação do setor também contribuirá para a saúde pública. Uma das principais causas de morte no mundo está relacionada a problemas pulmonares provocados pela poluição atmosférica. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 7 milhões de mortes prematuras são provocadas, todos os anos, pela poluição do ar, sobretudo nos países de baixo e de médio rendimentos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidas