Reportagem do Fantástico reforça alerta sobre acidentes de moto e os impactos para o SUS e os jovens trabalhadores

Dados revelados no domingo (1) expõem o custo social e financeiro da alta sinistralidade envolvendo motos. O debate ganha força dias após veto ao mototáxi por aplicativo em São Paulo.

 

Foto: Reprodução/TV Globo

A reportagem exibida pelo Fantástico neste domingo (1) trouxe luz a uma crise silenciosa e crescente nas ruas brasileiras: os acidentes envolvendo motocicletas. Segundo dados apresentados, só em 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) já desembolsou mais de R$ 257 milhões com internações de motociclistas — vítimas em sua maioria jovens entre 20 e 39 anos. O cenário reforça o alerta feito pela Justiça de São Paulo dias antes, ao suspender o serviço de mototáxi por aplicativo na capital após a morte de uma passageira de 22 anos.

De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), motociclistas têm 17 vezes mais chance de morrer em um acidente do que quem está dentro de um automóvel. Em 71% dos municípios brasileiros, os acidentes de trânsito já matam mais do que as armas de fogo, sendo mais de 60% das vítimas usuários de moto.

A conexão entre esses dados e a decisão judicial em São Paulo é evidente: a crescente sinistralidade envolvendo motocicletas não só ameaça vidas, como também pressiona o sistema público de saúde e compromete o sustento de trabalhadores. “Se acidentar, já era”, resume um motoboy entrevistado pelo programa. Muitos, mesmo após sofrerem lesões graves, são forçados a voltar às ruas por falta de alternativas econômicas.

Foto: Divulgação UBER

No estado da Bahia, por exemplo, o Hospital Ortopédico de Salvador recebe dezenas de motociclistas com fraturas graves toda semana. Em São Paulo, mais de 40 mil internações foram registradas apenas este ano, relacionadas a acidentes com motos.

A reportagem também escancarou os desafios para o futuro: como proteger a vida de quem depende da moto para trabalhar sem comprometer sua fonte de renda? Campanhas educativas, fiscalização eficiente e planejamento urbano foram apontados como caminhos viáveis por especialistas, incluindo o presidente da Abramet, Antônio Meira, e o diretor-presidente do Sindimotos-SP, Gilberto Almeida.

Enquanto o debate avança, a decisão da Justiça paulista ganha respaldo nos dados e nas vozes que clamam por segurança. A tragédia que motivou o veto ao mototáxi por aplicativo em São Paulo não foi um caso isolado — é parte de um quadro que pede ação urgente.

📺 A reportagem completa do Fantástico, com entrevistas, dados e depoimentos sobre o impacto dos acidentes de moto no Brasil, está disponível no Globoplay.
👉 Assista em: globoplay.globo.com/v/13646414

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