Mesmo com cenário econômico desafiador, setor de transporte segue em expansão, aponta CNT

Fonte: Agência CNT Transporte Atual – (22/05/2025)

Apesar dos obstáculos no cenário macroeconômico — como juros elevados, inflação persistente e câmbio volátil — o setor de transporte no Brasil segue mostrando resiliência e desempenho acima da média da economia. É o que indica o Boletim de Conjuntura Econômica da CNT (Confederação Nacional do Transporte), divulgado nesta quinta-feira (22), com análise de dados relevantes que impactam diretamente a atividade transportadora.

Segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), em março, o segmento “Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio” teve o maior crescimento entre todos os grupos analisados: alta de 1,7% em relação a fevereiro — desempenho quase seis vezes superior à média geral do setor de serviços, que cresceu apenas 0,3%.

Desde o período pré-pandemia (fevereiro de 2020), o setor acumula crescimento de 19,6%, impulsionado principalmente pelo transporte de cargas, que já opera 35,6% acima do nível anterior à crise sanitária. O transporte de passageiros também vem se recuperando, com avanço de 2,0% em março e superando em 1,8% o patamar pré-Covid.

Alta da Selic segue pressionando

O mês de maio foi marcado por novo aumento da Selic, que atingiu 14,75% ao ano — maior nível em quase 20 anos — após decisão do Copom. A medida visa conter uma inflação acumulada de 5,53% nos últimos 12 meses, ultrapassando o teto da meta de 4,5% estipulado pelo CMN para 2025.

Para a gerente executiva de Economia da CNT, Fernanda Schwantes, esse cenário afeta diretamente o setor de transporte. “Os juros elevados encarecem o crédito, desestimulam investimentos e aumentam os custos operacionais”, avalia. De acordo com o Relatório Focus, a taxa deve permanecer nesse patamar até o fim de 2025, com inflação projetada em 5,5%.

Combustíveis caem em abril, mas pressão permanece

Em abril, o setor teve um breve alívio com a queda de 0,45% no índice de preços dos combustíveis. O óleo diesel, essencial para o transporte de cargas e passageiros, recuou 1,27% no mês. Ainda assim, acumula alta de 4,37% no ano, pressionando custos logísticos e os preços de mercadorias e passagens.

Gasolina e etanol também registraram retração em abril, mas seguem com alta no acumulado do ano. Já o câmbio teve comportamento positivo nos últimos meses: o dólar caiu de R$ 6,21 em janeiro para R$ 5,63 em maio, influenciado por fatores internos e externos. A expectativa, no entanto, é de que a moeda americana feche o ano em R$ 5,82, o que ainda representa um desafio para empresas que dependem de peças e insumos importados.

Transportes seguem acima da média econômica

O IBC-Br — indicador que antecipa o PIB — subiu 0,8% em março, superando as projeções do mercado. No acumulado do primeiro trimestre, o crescimento foi de 1,3% frente ao último trimestre de 2024. A previsão para o PIB de 2025 é de 2,02%, número sujeito a revisões conforme o comportamento da economia global e o andamento do cenário fiscal brasileiro.

Para Schwantes, o setor enfrenta desafios conjunturais e estruturais, que vão desde a instabilidade econômica global até gargalos internos, como a infraestrutura deficiente e a baixa integração entre modais. “O bom desempenho do transporte destaca a necessidade de políticas públicas que ofereçam previsibilidade e segurança jurídica ao setor”, conclui.

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